BRASIL
Serviços começam com DTH
Sandra
Regina da Silva
DirecTV lança serviço baseado em OpenTV ainda em 2000.
Sky também tem planos. Operadoras de cabo preferem esperar.
O movimento em direção à TV interativa nos países
mais desenvolvidos já começa a tomar corpo. No Brasil, há algumas
iniciativas, mas o que se nota é que ainda vai demorar um pouco
para o negócio de um modo geral deslanchar. Quando se fala em TV
interativa, não significa apenas o acesso à Internet através da
TV ou um guia de programação eletrônico, mas sim os serviços de
video-on-demand (VOD), games, informações sobre um programa através
de ícones na tela, shopping mall, anúncio interativo (t-commerce),
e-mail, home-banking e muitos outros que ainda não se pode imaginar,
mas que com certeza surgirão.
As duas principais operadoras de DTH brasileiras
devem apertar o botão de start do mundo interativo. Mesmo porque
elas já são digitais e dispõem de guias eletrônicos de programação
(EPGs), que de uma forma simples representa um nível inicial de
interatividade. Porém, elas têm a limitação do canal de retorno,
disponível atualmente somente pela linha telefônica.
As operadoras de cabo e MMDS, por sua vez,
encontram pela frente um desafio bem maior. Ao decidir oferecer
TV interativa, é necessária a troca dos atuais decoders analógicos
pelos chamados advanced set-top boxes (ASB) analógicos. Isso significa
investimentos. Daqui a um tempo, elas devem ser digitalizadas.
E aí vem outro grande investimento.
As operadoras de cabo e MMDS estão certas,
na opinião de vários consultores e fornecedores, em esperar para
fazer apenas um único investimento. Esperando, elas também poderão
acompanhar o desenvolvimento internacional para ter certeza de
quais serão as melhores opções de caixas, plataformas, softwares
etc.
Custo alto
Álvaro Pacheco, diretor geral da Motorola BCS
Brasil, afirma que os investimentos em redes digitais nos EUA visam
aumentar a capacidade de canais, o que não é um problema nas operações
do Brasil. Para ele, o pay-per-view (PPV) nem amadureceu no Brasil
e a demanda por outros serviços interativos ainda não se justifica.
O executivo afirma que tem sentido no mercado que todos querem
ter TV interativa, mas quando analisam mais profundamente o assunto
acabam desistindo. Para se digitalizar uma rede, são necessários
entre US$ 1 milhão e US$ 4 milhões somente na central (headend),
além de US$ 600 a US$ 800 para cada set-top. Na minha visão,
vários serviços interativos da Internet são mais versáteis e interessantes
no PC do que na TV. Na Internet, a navegação é mais fácil. E o
conteúdo é mais rico, por estar sendo desenvolvido pelo mundo inteiro,
diz Pacheco e compara: Na TV, o operador ficará limitado
a alguns poucos fornecedores locais.
Antonio João Filho, diretor de broadband da
Tele Design, concorda com Pacheco quanto à necessidade de se pensar
bem antes de tomar uma decisão. E decidir pela instalação de uma
caixa analógica avançada só mesmo em condições especiais,
diz ele, citando como exemplos o lançamento de um produto interativo
com retorno do investimento praticamente garantido ou então de
uma ferramenta necessária à competitividade. Caso contrário,
deve-se esperar a digitalização da rede.
O consultor Alexander Lucinski afirma que,
com a digitalização, as possibilidades de manipulação dos
dados são gigantescas. Inicialmente, detalha ele, haverá algumas
funções básicas, como melhor qualidade de imagem, transmissão sem
perda e televisores equipados com hard-disks que permitirão o armazenamento
de programas para serem assistidos no momento em que se desejar.
O que não podemos perder de vista é que
isto é apenas o início, pois irão surgir novas possibilidades para
a TV digital, desde assistir a um documentário na língua que preferir
até selecionar dentro de um jornal de uma hora quais são os 15
minutos que mais interessam para assisti-lo quando estiver com
pressa.
Para o professor Murilo César Ramos, da Faculdade
de Comunicação da UnB, a interatividade obtida no correio eletrônico,
na troca de arquivos, nas reuniões virtuais já é bem-prestada pelo
PC. Já a possibilidade de poder customizar a programação,
vejo isso como um bom negócio, completa Ramos. Deve-se considerar
ainda, como fator desfavorável, que o aparelho de televisão convencional
tem uma definição inferior à do monitor do PC.
Até o final deste ano, a DirecTV pretende oferecer
jogos, informações meteorológicas em cidades à escolha do assinante
e home-banking, que serão agregados ao existente EPG. A interatividade
na televisão deve preservar a própria natureza do veículo que é simples,
divertida, interativa e prática, resume Philippe Boutaud,
gerente geral da Galaxy Brasil. Por isso, o acesso a esses novos
serviços será muito fácil, de acordo com ele.
A Sky decidiu, inicialmente, tornar seu EPG
mais robusto e com maior funcionalidade. Nessa primeira aplicação
interativa, o assinante interage com a programação como ela é e
prevemos até o final do ano permitir que ele possa optar por ter
ou não legendas no PPV. Em seguida, a idéia é ter opção também
para os canais cujo sinal sobem do Brasil, conta Luiz Celso
Machado, o Xis, diretor de tecnologia da Sky.
Num segundo nível, a Sky deverá partir para
a chamada enhanced television. É o mesmo conteúdo de programação
com dados e opções adicionais, como informações correlatas,
trívias, diz Xis, que serão dispostas ou em uma tela sobreposta
ao programa ou lateralmente. Vamos capacitar o IRD com um
browser para receber dados que acompanham a imagem para trazer
a informação solicitada pelo cliente. Inspirando-se na atuação
da BSkyB, na Europa, a Sky brasileira considera, entre outras ações,
oferecer opções de câmeras, para uma partida esportiva por exemplo.
Nesta fase de interatividade, os programadores passarão a ter maior
participação, tendo que fornecer as informações adicionais. A expectativa é lançar
esses serviços entre o final do ano e início de 2001, dependendo
dos programadores.
Ainda sem data prevista, a Sky também pretende
disponibilizar aos assinantes a ligação do computador ao seu sistema
DTH, precisando apenas substituir o LNB, da mesma forma como é feito
hoje para se adicionar um segundo ponto do serviço de TV paga na
residência. Um piloto estará sendo feito até o final do ano,
conta Xis. Oferecer Internet pela TV ainda não está decidido. Neste
caso, seria colocado um número determinado de páginas da web no
satélite, que desceriam para o IRD como um arquivo qualquer. Assim,
o IRD funcionaria como um PC, sendo a capacidade de memória (2
Mbps), porém, bem inferior.
Futuramente, será a fase do terceiro nível
de interatividade, como compras, transações bancárias, catálogo
por onde se navega. Nesse momento será necessário o canal de retorno.
Todos os serviços da Sky estarão no satélite, no chamado carrossel
de dados, uma espécie de disco que enviará automaticamente
os dados aos poucos para o IRD. Os da DirecTV funcionarão também
de forma automática no caso de games e das consultas climáticas.
O serviço bancário, porém, precisará do telefone para o canal de
retorno. Estudos de viabilidade de comunicação bidirecional
via satélite estão sendo desenvolvidos e terá, com certeza, sua
comercialização disponível no futuro, destaca o executivo
da Galaxy Brasil.
A DirecTV tem planos de lançar novos produtos
em 2001, mas prefere informar apenas que eles irão atender
as necessidades e desejos dos assinantes, diz Boutaud.
Tecnologias
A Globo Cabo começa em outubro a testar seu
piloto de TV interativa e de TV digital em Sorocaba, com tecnologia
Microsoft Basic Digital, que reconhece tanto o sinal analógico
como o digital. O decoder terá o software da WebTV e cable modem,
agregados ao acesso condicional existente hoje na caixa. A MSO,
oficialmente, prefere não dar detalhes sobre os testes para não
criar expectativas no mercado de um produto sem formatação ou data
de lançamento definidas. Comenta-se que o piloto irá definir os
produtos a serem lançados, servirá como teste da infra-estrutura
existente e, paralelamente, tentará se montar o quebra-cabeça de
integração de todos os sistemas como customer care, central de
atendimento, billing etc. Segundo uma fonte, a rede hoje é o menor
dos desafios. Onde existe o Vírtua, não há problemas para agregar
novos serviços interativos e, até o fim do ano, todos os assinantes
das classes A e B da Globo Cabo serão servidos por redes bidirecionais
ativadas.
Tudo indica que a Globo Cabo, a TV Globo e
provavelmente a Sky estão trabalhando em conjunto, o que significa
que elas podem traçar uma estratégia única. A Sky, porém, está entre
dois sistemas operacionais, o Microsoft Basic Digital e a OpenTV.
Esta última já foi adotada pela DirecTV, que recentemente firmou
acordo com a OpenTV, para rodar os aplicativos de TV interativa.
IRDs preparados
Mesmo sem ter definida a forma de cobrança
dos serviços (alguns devem ser gratuitos, outros cobrados à parte),
as duas operadoras de DTH informam que a maior parte dos IRDs existentes
já está capacitada para receber os serviços interativos, necessitando
apenas a instalação do sistema operacional. A DirecTV está estudando
uma política de troca para a pequena parcela da base de assinantes
que ainda possui o IRD antigo, afirma Boutaud. Então quem
assina a DirecTV, como o equipamento é cedido em comodato, terá a
troca bancada pela operadora. Quanto aos assinantes mais antigos
da Sky, se quiserem ter os serviços interativos, terão que substituir
suas próprias caixas. Os equipamentos adquiridos em 2000
não precisam de adaptação, informa Xis, da Sky.
A TVA, por sua vez, está atenta aos movimentos
do mercado internacional para avaliar as melhores alternativas
e então adotar a sua no momento oportuno, declara Alexandre
Annenberg, diretor de tecnologia e novos negócios da MSO. A operadora
vem testando algumas tecnologias e produtos, mas não tem nada definido.
Provavelmente, vai esperar a digitalização das redes para um investimento único
e, até lá, tanto o cabo como o MMDS já estarão bidirecionais. Há vários
níveis de TV interativa e, para cada um, há algumas soluções técnicas
e mercadológicas sendo testadas. A TVA já comprovou que a
sua estrutura técnica (incluindo a arquitetura da rede) e comercial
têm condições de disponibilizar produtos interativos assim que
houver uma decisão. O casamento tem de ser bem pensado para
dar certo, conclui Annenberg.
A Image Telecom, de Uberlândia, está testando
o acesso à Internet pela TV. Segundo Daniel Aguirre, diretor de
tecnologia da operadora, 20 pessoas que não têm computador fazem
parte do teste para ver o grau de aceitação. Em seguida, será analisada a
viabilidade do produto, se a relação custo/benefício é ou não interessante.
Trata-se de uma tecnologia da World Gate, que conecta um decoder
e um teclado à TV, permitindo que o assinante interaja com o set-top
box. É um produto dirigido a quem não tem computador, mas
quer ter e-mail e acesso à Internet, diz. Para quem tem um
micro não é vantagem, porque um cable modem é mais barato do que
essa solução, que por sua vez sai mais em conta do que adquirir
um PC.
Apesar de a TV interativa estar começando no
DTH, as possibilidades mais efetivas serão através do cabo, na
opinião de Antonio João, da Tele Design. Justamente pela largura
de banda, o caminho de volta poderá ser mais rico,
explica.
Antonio João acredita que a interatividade
no Brasil deve demorar de três a cinco anos para deslanchar. Mas
há fatores que podem antecipar essa data, como, por exemplo, uma
perda de mercado para o DTH.
Renato Cotrim, gerente de negócios na área
de TV interativa da Microsoft Brasil, arrisca um prazo: a Copa
de 2002. Acho que esse evento vai impulsionar a transmissão
do sinal digital e o telelespectador a interagir com a programação. Alexander
Lucinski acredita que neste ano haverá somente trials e algumas
operações começam já em 2001.
| USP desenvolve set-top |
A USP testa desde
98 um projeto-piloto de broadband multimídia para TV a cabo
digital, que inclui o desenvolvimento próprio de um set-top
avançado. O projeto é financiado principalmente pela Nec do
Brasil e pela Fapesp. O custo do equipamento deverá ser inferior
a US$ 300, segundo Marcelo Knörich Zuffo, professor da
Poli/USP, cientista do Laboratório de Sistemas Integráveis
e coordenador do Grupo de Computação Visual e Mídia.
Todos os set-tops do mercado são obsoletos,
com chips comprados, que não contemplam o MPEG-4 e o MPEG-7,
por exemplo, como a nossa caixa. O set-top digital suporta
TV digital, HDTV e multipadrões de digitalização, recebendo
canais de 6 Mbps a 155 Mbps. Ele é um computador multimídia
para games, video-on-demand etc., com bidirecionalidade de
dados, voz e imagem, destaca Zuffo. Prevê inclusive aplicação
de automação doméstica, para controlar geladeira, fogão, forno,
entre outros. |
Campeões de demanda
Poucos arriscam um palpite quanto ao produto
que será uma killer aplication. Uma afirmação é quase unânime:
só Internet na TV não é muito atraente. O VOD, para Antonio João, é o
que tem mais chance de apelo, enquanto games deverão ter pequena
demanda. Programas de TV devem partir mais forte para a interatividade
para segurar a audiência. Murilo Ramos acredita que na TV o grau
de interatividade será de pequeno e médio níveis, mas também destaca
o VOD como um dos atrativos, porque o telespectador passa a ter
o comando da TV. A tecnologia principalmente a digital permite n coisas,
mas tudo o que se pretende ainda é uma aposta. Estamos falando
de produtos futuros que não se sabe se alguém vai querer. É tudo
muita especulação e eu sou cético. Por outro lado, diz ele,
os operadores têm que tentar para ter chances de sair na frente: Só os
paranóicos sobrevivem.
A DirecTV fez pesquisas com seus assinantes
e detectou grande expectativa pelos serviços, mas cada um deles
tem maior ou menor interesse, dependendo do perfil do assinante.
O consultor Artur Steiner não vê um único produto
atendendo todos e gerando volume, pois a demanda será micro-segmentada
e também evolutiva. Ele acha que games, por exemplo, devem ser
fortes, mas não dá para destacar um jogo como sucesso absoluto.
Para Steiner, o sucesso de um produto estará ligado ao conteúdo. Hoje
os canais estão muito bem posicionados, mas vão precisar vencer
algumas barreiras, como passar do atual conteúdo massificado para
o individualizado.
Renato Cotrim, da Microsoft, acha que ícones
contendo informações sobre o programa que está sendo exibido podem
ter grande demanda. Pelo menos tem sido assim nos testes da Microsoft
nos Estados Unidos. Verificou-se, nos EUA, que quem tem TV
interativa vem acessando com maior freqüência os sites de
entretenimento. Como a interatividade irá provocar uma mudança
de hábitos dos telespectadores, Cotrim arrisca que uma das aplicações
que devem atraí-los é a possibilidade de participação em programas
de auditório.
Conteúdo
É preciso também ter programação interativa
disponível, que será produzida por empresas especializadas em comunicação,
propaganda e entretenimento. Nos EUA, já se produz mais de 500
horas semanais desses programas, sendo que NBC, Weather Channel
e Entertainment Network disponibilizam cada uma delas 24 horas
por dia de interatividade. A HBO Brasil vê a TV interativa como
uma oportunidade, segundo Axel de Torsiac, principal executivo
da programadora. Em julho, criou localmente um site sobre Soprano,
série exibida pelo canal, para promover a interatividade com o
assinante. Foi um teste. É bom lembrar que a Time Warner,
uma das donas da HBO, foi adquirida pela America On Line e dessa
associação pode surgir muito conteúdo.
Outra aplicação bastante interessante é a propaganda
interativa. A Dominos Pizza, que está participando do piloto
da Time Warner no Havaí, constata que 14% dos telespectadores compram
pizza através do comercial interativo, com o pedido feito através
do controle remoto. E há outras possibilidades, como ícones disponíveis
para o patrocinador de um filme poder vender a trilha sonora, o
DVD, camiseta etc.; ou mesmo a publicidade dirigida com anúncios
diferenciados para determinados assinantes, necessitando de um
set-top com grande capacidade para receber o download de comerciais
na caixa.
Há um outro fator que, com certeza, definirá qualquer
sucesso de interatividade no Brasil: os custos do equipamento e
da mensalidade. Nos EUA, por exemplo, a mensalidade tem girado
em torno de US$ 11 a US$ 24, dependendo do serviço, como informa
Renato Cotrim. Será que esse valor não é elevado para o mercado
brasileiro?
Para Cotrim, o telespectador não terá dificuldades
em começar a interagir com a programação, porque a TV e o controle
remoto já fazem parte do dia-a-dia dos brasileiros. A experiência
americana, que não usa mouse, indica que durante 95% do tempo o
usuário utiliza apenas o controle remoto. Ele só usa o teclado
para escrever e-mails, conta.
Tudo vai depender do grau de conveniência
com que conseguiremos oferecer estes novos serviços, opina
Lucinski. Creio que o telespectador sempre está atrás de
mais informação e entretenimento e, com certeza, podemos melhorar
a qualidade para ele através da interatividade. Enquanto
há pessoas ávidas por interatividade, outras apenas almejam a TV
passiva, completa Lucinski. A opinão é compartilhada pelo professor
Murilo César Ramos.
A TV interativa deve provocar mudanças também
na linguagem dos canais e na postura dos anunciantes. Hoje
a TV afirma. Com os novos sistemas, terá que fazer perguntas,
analisa Antonio João, da Tele Design. Boutaud, da DirecTV, diz
que se abre um leque enorme de novos recursos e opções, cujo
limite será a criatividade dos anunciantes e das agências de propaganda.
A TV interativa é o único meio que possibilitará ao anunciante criar awareness e
educar o telespectador quanto ao produto ou serviço anunciado,
gerar repostas diretas na TV, construir e manter a marca em uma única
peça publicitária, completa Boutaud.
A Microsoft, que adquiriu a WebTV em 1997,
atuará diretamente com a marca nos EUA, Canadá e Japão, onde já tem
1,3 milhão de assinantes, com canal de retorno por linha discada,
informa Renato Cotrim. Nos outros países, pretende apenas desenvolver
e licenciar os softwares para TV interativa. No Brasil, a Microsoft
analisa a possibilidade de trazer a caixa da WebTV, com acesso
discado, como atua nos EUA. Para isso, precisaria de um parceiro,
ou provedor de acesso e conteúdo, ou telco, ou ainda investidor.
Com certeza, hoje o telespectador quer participar
mais. As possibilidades são inúmeras. Vamos ver o que vai
vingar, coloca Antonio João, que arremata: Só pela
beleza da tecnologia, não se vai para frente. Alguém precisa pagar
por isso. |