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VÍDEO DIGITAL
PVRs: conteúdo sob controle
Peter
J. Brown
Com a chegada ao mercado dos personal
video recorders, a forma de ver televisão torna-se uma
importante preocupação de programadoras e anunciantes.
Qualquer pessoa que ultimamente
tenha passado por uma loja de eletrônicos nos EUA sem
dúvida observou os mais recentes equipamentos que estão
no mercado: os personal vídeo recorders (PVRs), o substituto
digital do velho videocassete. E agora, com os preços
desses novos equipamentos ao alcance da maioria dos
consumidores, há uma maior preocupação sobre a capacidade
de os PVRs oferecerem aos telespectadores um maior controle
sobre o conteúdo da televisão e, portanto, afetarem
a receita publicitária da TV.
Até agora, dois fabricantes de
PVRs estão com produtos no mercado: a TiVo, que tem
a Philips e a Sony como parceiras em hardware; e a ReplayTV,
que está presente nas unidades ShowStopper da Panasonic.
A Sharp firmou um acordo para
produzir aparelhos ReplayTV, mas ainda não estão disponíveis
no mercado.
Mais de 100 mil assinantes da
DISH Network, DTH da EchoStar, compraram equipamentos
híbridos de IRD com PVR, chamados DISHPlayers, criados
pela EchoStar e WebTV, da Microsoft.
A EchoStar também detém uma pequena
participação na ReplayTV.
A Sony informa que as vendas do
seu Digital Network Recorder SVR-2000 com tecnologia
da TiVo, lançado em maio, superou de longe as expectativas.
Um Digital Network Recorder da TiVo/DirecTV, com dois
sintonizadores e disco de 30 Gb, será lançado pela Sony
no final deste ano.
Estamos atraindo principalmente
muitos assinantes de TV via satélite, diz Michael
Fidler, vice-presidente sênior da Sony para a área de
marketing em homevideo e mídia digital. Consideramos
este produto o primeiro de uma série que vai integrar
todas as fontes. No futuro, acho que esta tecnologia
de disco rígido com capacidade de gravação será introduzida
nos aparelhos de TV e nos set-top boxes de TV a cabo.
Charley Humbard, vice-presidente
sênior e gerente geral de redes digitais e TV avançada
da Discovery Networks (que tem uma participação de US$
7,5 milhões na TiVo), diz ter um PVR equipado pela TiVo
e o adora. Humbard conta que aprender a
instalar e operar o seu PVR foi muito mais fácil do
que com qualquer videocassete.
Todos entendem que a tecnologia
do PVR permite ao telespectador um maior acesso ao conteúdo
e provoca mais vontade de ver TV, afirma Humbard.
A interface do usuário é ótima.
Estudos mostram que as pessoas
vêem mais TV com os PVRs. E no entender delas, a qualidade
da TV que elas estão vendo é imensamente melhor. Os
PVRs oferecem uma experiência muito interessante e fora
do comum, declara Jonathan Boltax, diretor do
grupo de broadcast avançado da NBC, que tem participações
acionárias tanto na TiVo como na ReplayTV. Essa
tecnologia continuará a evoluir, da mesma forma que
evoluirá nosso envolvimento com ela, acrescentou.
Da mesma forma que a NBC, a Disney
adquiriu, no ano passado, participações acionárias na
ReplayTV e na TiVo.
Os primeiros usuários, em
especial, irão usá-los muito, serão os heavy users,
e já detectamos que as pessoas que têm os PVRs adoram
o controle, diz Mark Greenberg, vice-presidente
executivo de comunicações e estratégias corporativas
da Showtime Networks, que também detém participações
tanto na TiVo como na ReplayTV.
A TiVo oferece aos canais um mostruário,
nos quais os parceiros de conteúdo da operadora podem
destacar os programas ou eventos especiais a serem transmitidos.
O Ipreview, da TiVo, que atualmente está sendo usado
pela Showtime Networks, permite que os usuários selecionem
um programa usando o controle remoto para clicar num
ícone que aparece na tela da TV durante a exibição dos
comerciais. A TiVo grava automaticamente o programa
pré-selecionado quando estiver no ar.
A ReplayTV adotou uma abordagem
ligeiramente diferente com o seu ReplayZones, que organiza
o conteúdo da TV em categorias específicas.
Em nossa opinião, esses
dispositivos são muito poderosos também na forma que
nos possibilitam posicionar nosso conteúdo dramático
e original, observa Greenberg.
A Showtime tem sido muito agressiva
neste sentido, usando o Ipreview e o ReplayZones para
chamar a atenção dos seus assinantes para a sua programação.
Agrega valor à assinatura, ao mesmo tempo em que
nos possibilita organizar a confusão.
Locadora em casa
A Blockbuster está promovendo
o PVR nas suas quatro mil lojas com o serviço DTH da
DirecTV. No início de 2001, as duas companhias planejam
oferecer de forma separada um canal de filmes com a
marca Blockbuster-TiVo, de forma semelhante aos showcases
existentes da TiVo Network, mas com acesso direto e
além dos próprios showcases do guia de programação eletrônico
(EPG) da TiVo.
Haverá uma interface única
com o usuário, que terá a marca da Blockbuster, e permitirá
que os consumidores saibam que estão vendo filmes exibidos
para eles pela Blockbuster, diz Randy Hargrove,
representante da rede de locadoras.
A interface com o usuário do PVR,
ou EPG, é pouco comum no sentido de que os telespectadores
provavelmente não tenham ainda encontrado outro dispositivo
que os auxilie, varrendo as listas de programas para
pesquisar categorias específicas ou tipos de programação
que possam interessá-los.
Os PVRs, com os seus mecanismos
de busca de programação amparados na inteligência artificial,
os quais são baseados na forma como este usuário vê
televisão, parecerão excelentes para muitas pessoas,
embora outras possam achar que eles invadem um pouco
a sua privacidade, afirma Greenberg, da Showtime.
Mas Humbard, da Discovery, está
na expectativa da próxima geração de PVRs, que serão
equipados com mais de um sintonizador. As atuais plataformas
de PVR são um tanto limitadas por terem apenas um sintonizador,
o que impede que os usuários vejam um canal enquanto
gravam outro. Os set-tops combinados TiVo-DirecTV equipados
com dois sintonizadores, feitos pela Philips e pela
Sony, por exemplo, devem ser lançados até o fim deste
ano e terão essa opção.
No momento, eles querem
manter os custos baixos e conseguir penetrar nas casas.
À medida que os custos das unidades
de discos rígidos continuarem a cair, os fabricantes
de PVRs poderão manter os seus preços estáveis, enquanto
instalam um outro sintonizador, diz Humbard, que
sugere que a Discovery terá uma área com a sua marca
nas vitrines da TiVo Network, embora ele não revele
os termos do acordo.
| Mais produtos a caminho |
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A empresa chinesa Shenzhen Kaiser Electronic
colocou no mercado um PVR compatível com os formatos
PAL e NTSC, com entradas de vídeo e áudio analógicos
composto. Este aparelho, equipado com apenas uma
unidade de disco, gera gravações em MPEG-1 e MPEG-2
- com taxa máxima de 2,5 Mbps - de conteúdo de
vídeo no CD-R (gravador de CD). Embora ele não
seja dotado de entradas ou saídas digitais, tem
atraído atenção. Em meados de junho, começou a
surgir um série de anúncios relacionadas a PVRs.
A Thomson Consumer Eletronics (TCE) lançará
no fim do ano um PVR com dois sintonizadores,
que conjuga uma versão avançada da WebTV, da Microsoft,
conhecida como Ultimate TV, com os serviços de
DTH da DirecTV. Tanto a Microsoft como a DirecTV
têm participações acionárias na TCE. Este
será o mais avançado IRD que já fizemos,
afirma o porta-voz da TCE, David Arland. Com
a capacidade da DirecTV de oferecer conteúdo local
de TV, este será um produto muito interessante.
As entradas USB possibilitarão que os usuários
gravem dados e até imagens, mas não vídeo analógico.
O porta-voz da DirecTV, Robert Marsocci, diz
que tanto o PVR da TiVo/DirecTV como o futuro
PVR da Thomson encontrarão o seu próprio nicho
e a superposição entre os dois será mínima.
Logo depois, a Liberate e a britânica NDS anunciaram
um acordo em níveis múltiplos para integrar as
tecnologias de PVR da NDS, incluindo o software
para TV personalizada com recurso de metadados,
o XTV, e o acesso condicional Open VideoGuard
com plataforma de set-top boxes da Liberate.
O VP de eletrônica de consumo da NDS, Jas Saini,
diz que o XTV foi criado com a intenção de atender
os interesses do telespectador, da emissora e
do anunciante.
O XTV permite vários cenários de veiculação
da publicidade, inclusive uma forma de veicular
uma versão substituta, pré-armazenada ou resumida
do comercial, que ofereça apenas a mensagem e
a marca de um anúnciante se o telespectador apertar
o botão de avanço rápido.
O XTV permite o desenvolvimento de modelos
de publicidade que o setor vai criando à medida
em que se adotar o modelo de programa em múltiplos
horários, definidos pelo espectador, declara
Saini.
A America Online e a TiVo divulgaram um acordo
estratégico para a criação de um set-top equipado
com o Personal TV, da TiVo, para a AOLTV. Pelo
acordo, a TiVo foi indicada como parceira de programação
da AOLTV, e a AOL investirá até US$ 200 milhões
na TiVo.
No ano passado, a AOL também investiu US$ 1,5
bilhão na Hughes Electronics e anunciou que a
Hughes Network Systems produzirá um receptor DirecTV/AOLTV.
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Sem anúncios
Os PVRs, porém, trouxeram um pouco
de incerteza sobre o futuro para o setor de TV, já que
ao espectador são oferecidos os meios não apenas para
criar uma experiência de ver um canal exclusivo, mas
também para pular os intervalos comerciais de 30 segundos,
no caso da ReplayTV.
Uma recente pesquisa realizada
pela KPMG Consulting, chamada Perspectivas do
Personal Video Recorder, detecta algumas preocupações
do setor sobre a tecnologia. A pesquisa feita entre
executivos da área de mídia e realizada na convenção
deste ano da NAB, revelou que 64% dos pesquisados acreditam
que um em quatro telespectadores vai possuir PVR nos
três próximos anos. Ao serem indagados sobre quando
os PVRs terão capacidade automática de supressão dos
comerciais, 35% acreditam que correrá dentro de um ano
e 47% acham que acontecerá num prazo de três anos. Segundo
a pesquisa, a maioria dos executivos do setor acredita
que os anunciantes terão de melhorar o conteúdo de entretenimento
dos comerciais. Um número significativo (29%) sente
que os anunciantes terão de fazer acordos com os fabricantes
de PVRs para manter os comerciais no processo de playback.
E 25% acham que os anunciantes terão de oferecer incentivos
para que os consumidores vejam os comerciais.
Então que tipo de sinais os anunciantes
estão enviando aos provedores de conteúdo e às redes
de TV? Até aqui, parece não haver uma resposta convincente
dos anunciantes. Não detecto sinais de resistência
aos PVRs em geral e não percebo que os anunciantes estejam
insatisfeitos com esta tecnologia, observa Boltax.
Com as maiores programações
antecipadas de publicidade da história da TV, não estamos
detectando sinais negativos dos anunciantes que neste
momento se relacionam com os PVRs, diz Dana McClintock,
representante da CBS, que tem uma participação acionária
na TiVo. Estamos avançando e os PVRs não estão
alterando em nada os nossos planos.
Humbard afirma, no entanto, que
a maioria dos anunciantes tem preocupações sobre
como a publicidade se encaixa nessa tecnologia de distribuição.
| Produtos
devem demorar para chegar no Brasil
Sandra Regina da Silva
Os decoders avançam tecnologicamente no mesmo
ritmo dos computadores pessoais. Logo, mesmo os
IRDs de DTH mais avançados ficarão obsoletos.
A Sky, por exemplo, já prevê que no futuro a sua
caixa trará um PVR embutido. Será uma opção ao
equipamento tradicional, mas mais cara. A DirecTV
também já está estudando a possibilidade de trazer
o PVR para sua utilização no Brasil. Mas os fabricantes Sony, Philips, Panasonic
e mesmo a Thomson (que produz os IRDs da DirecTV)
informam que não há qualquer previsão de trazer
para o País os PVRs da TiVo ou da ReplayTV. Quanto à próxima geração de set-top boxes, eles
já devem vir com o serviço de personal video recorder.
Isso não vai representar uma maior fonte
de receita para o operador, mas funcionará como
atrativo para o usuário, diz Álvaro Pacheco,
diretor regional da Motorola BCS Brasil. O protótipo
dessa nova caixa está previsto para o final do
ano ou início de 2001 nos EUA. Pacheco acredita, porém, que o produto que o
mercado brasileiro precisa é outro. Na minha
visão, haverá cable modem que possa fazer download
de um filme da Internet. Quando isso estiver disponível,
como já está para o áudio, o mercado vai ter alterações
e os canais terão que se justificar como programadores. |
E as cópias?
Outra questão que enfrenta o PVR
- e todo o setor de produtos eletrônicos de consumo
em geral - é a proteção aos direitos autorais sobre
a reprodução do material transmitido digitalmente. Por
exemplo, consideremos a observação registrada em 8 de
junho em resposta a uma recente consulta pública sobre
a Proposta de Elaboração de Norma emitida pela Administração
de Licenças de Transmissão Digital (DTLA, na sigla em
inglês), que supervisiona a implementação da Proteção
dos Direitos Autorais sobre Transmissão Digital (DTCP),
padrão da FCC - também conhecida como solução 5C,
devido às cinco empresas que a criaram.
O comentário sublinha a enorme
incerteza que cerca a implementação da proteção dos
direitos autorais nos PVRs e em outros produtos digitais,
que estão cada vez mais interconectados ou ligados em
rede.
Os membros da MPAA (associação
dos produtores de filmes dos EUA) sugeriram que as transmissões
de TV aberta sejam criptografadas e codificadas de uma
forma que mostrem que não há controle das reproduções,
mas que não é permitida a retransmissão do conteúdo
para fora da casa. Instituir uma alteração (isto é,
criptografar todo o conteúdo, mas codificando o conteúdo
de transmissão pela TV de forma que não impeça a realização
de cópias), requeriria uma revisão das especificações
técnicas da DTCP, diz a nota. E continua: Essa
alteração, se implementada, faria com que os PVRs ficassem
impossibilitados de reconhecer o novo tipo de controle
sobre as reproduções e, assim, impossibilitados de fazer
reproduções legítimas de transmissões de TV (por exemplo,
para que o usuário assista aos programas em outros horários).
Da mesma forma, os receptores de DTV (TV digital) não
reconheceriam que o conteúdo está criptografado e, assim,
seriam incapazes de exibir televisão através de uma
interface IEEE 1394. Os chips de silício que atualmente
estão sendo fabricados e vendidos pelas companhias que
implementam a DTCP também seriam inúteis.
Sem uma resolução sobre a questão
da proteção dos direitos sobre reprodução em material
digital, a tecnologia do PVR continuará vulnerável.
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