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ACESSO
O desafio de chegar ao usuário
Inaldo Cristoni
A Internet cresce em ritmo acelerado,
estimulando a oferta de tecnologias que suportam acesso
mais rápido. Algumas já estão em operação comercial,
outras estarão disponíveis brevemente. Conexão lenta
será logo coisa do passado.
Das tecnologias destinadas a prover
serviços de banda larga, as que estão em estágio mais
avançado de difusão são a ADSL (Asymmetric Digital Subscriber
Line) e a de cable modem, ambas já oferecidas comercialmente
por diversas operadoras em várias regiões do Brasil.
Entre os provedores da primeira figuram a Telefônica,
em alguns bairros de São Paulo, e a CTBC Telecom, que
atende perto de 800 usuários domésticos e corporativos
em algumas das sete cidades de sua concessão desde que
criou o Internet Plus, há aproximadamente um ano.
A tecnologia de cable modem despontou
no cenário nacional no ano passado. Entre seus provedores
figuram a TVA, do grupo Abril, com o serviço Ajato;
a LinkExpress, da TV Filme, de Brasília, criada há três
anos; a Net Sul, que em janeiro lançou o Cable Modem
Net em Curitiba e Porto Alegre e a Globo Cabo, com o
Vírtua, disponível por enquanto apenas em alguns bairros
de São Paulo.
Vários fatores contribuem para
a expansão da ADSL e do cable modem no mercado brasileiro.
As duas tecnologias chamam a atenção pela velocidade
de transmissão e por garantir conexão permanente (o
chamado always on). O acesso deixa de ser
discado, como ocorre hoje, o que implica em mudanças
no modelo de tarifação do serviço, atualmente por tempo
de acesso.
Uma grande vantagem, além da velocidade,
é que o usuário pode navegar pela Internet e utilizar
o telefone ou o aparelho de fax simultaneamente. No
caso do cable modem, utilizado tanto na rede de cabos
como por microondas (MMDS), isso só é possível se o
serviço for bidirecional.
Base instalada
A favor da tecnologia ADSL conta
o fato desta aproveitar a malha de fios de cobre já
instalada para prover transmissões em alta velocidade.
A operadora de telefonia local não precisa fazer grande
investimento na infra-estrutura de rede externa para
o serviço. Não há, por exemplo, a necessidade de substituir
o cobre por fibra óptica.
O modem instalado na central da
operadora e na casa do usuário contém um splitter, que
separa os sinais de voz e dados da rede. O tráfego de
voz é desviado para a rede pública de telefonia e o
de dados, para o provedor de Internet.
A banda oscila conforme a qualidade
da rede de cobre, a quantidade de usuários conectados
e a distância em relação à central da operadora. A velocidade
para baixar arquivos (download) pode alcançar até 8
Mbps, enquanto no sentido contrário (upload) ela atinge
em torno de 600 kbps. Isso considerando uma distância
média de 3,5 quilômetros entre a casa do usuário e a
central. De qualquer forma, quanto maior a distância,
menor a velocidade de acesso. A mesma relação se estabelece
com a quantidade de internautas conectados. Isso porque
o ADSL é uma tecnologia que pressupõe o uso compartilhado
da banda.
O cable modem oferece banda para
transmissões de voz, dados e imagens a velocidades que
podem chegar até a 27 Mbps, mas que com o compartilhamento
ficam em torno de 2 Mbps. O potencial de crescimento
dessa tecnologia pode ser avaliado pela base de assinantes
de TV paga, contigente que vem aumentando consideravelmente
no mercado brasileiro. Conforme levantamento da empresa
de pesquisa de mercado PTS - PAY-TV Survey, em setembro
de 1999 o país contabilizava mais de 2,8 milhões de
usuários de TV paga, dos quais cerca de 61% são usuários
de cabo, 29% de satélite (DTH) e 10% de MMDS. As projeções
conservadoras são de que em 2003 o universo de assinantes
seja da ordem de 5,8 milhões.
Custo do modem
A despeito das vantagens, o avanço
da ADSL e do cable modem esbarra no custo para o usuário,
especialmente o doméstico. O preço dos modems utilizados
nessas duas tecnologias é caro para os padrões nacionais
e o mercado interno ainda não tem escala que leve a
uma redução. Não são equipamentos de prateleira e tampouco
os fornecedores, que não são muitos, vislumbram a possibilidade
de fabricação local no curto prazo.
No caso do cable modem há um entrave
adicional: os assinantes de TV paga são potenciais usuários
do serviço, mas a despeito desse enorme contigente,
a TV por assinatura por enquanto está longe de atingir
as camadas mais pobres da população brasileira. O desafio,
portanto, é massificar a Internet, o que
implica, também, na expansão do parque de microcomputadores.
A oferta dos serviços baseados
nas duas tecnologias no mercado nacional tornou-se possível,
até o momento, graças à ação das próprias operadoras.
A CTBC Telecom, por exemplo, que opera em parte dos
estados de São Paulo e Minas Gerais, tem parceiros em
cada uma das cidades onde oferece o Internet Plus. O
provedor comercializa o serviço e nós cuidamos da instalação,
incluindo o modem, explica Marco Aurélio de Freitas
Santos, analista de negócios da companhia.
Para usufruir do Internet Plus,
o usuário paga uma taxa mensal de R$ 85,00. Mas o serviço
tem particularidades. As velocidades de acesso são de
64 kbps a 1 Mbps (download) e 174 kbps (upload). Mas
não há garantia de banda, ou seja, velocidade contratada.
Segundo Santos, para oferecer essa garantia será preciso
promover mudanças na topologia da rede.
A CTBC Telecom pretende expandir
o Internet Plus para outras cidades de até 30 mil habitantes
este ano, dobrando sua base de usuários domésticos,
que representam 60% da demanda, e corporativos. A
meta é atingir 11 mil usuários em cinco anos,
revela Santos.
Para lançar o Cable Modem Net,
a Net Sul adquiriu por conta própria um lote de 8,5
mil modems fabricados pela Terayon, que repassou para
os estabelecimentos comerciais das capitais paranaense
e gaúcha. O objetivo é estimular a venda do produto
no varejo, conta José Antônio Félix, diretor de
tecnologia da empresa.
A companhia investiu cerca de
R$ 60 milhões na implementação do serviço, que é assimétrico
e bidirecional, e espera fechar o ano com um total de
20 mil assinantes. O circuito com link de 256 kbps para
download custa para o assinante R$ 59,70 por mês, incluídos
nesse valor o preço do modem e o acesso. Presente em
25 cidades da região Sul do Brasil, a Net Sul mantém-se
cautelosa ante a perspectiva de expandir o serviços
para outras localidades. Vamos aguardar os resultados
das experiências nessas duas capitais, avisa Félix.
A LinkExpress, segundo revela
Dilton Caldas, diretor da área de comunicação de dados,
está buscando parceiros para oferecer uma linha de financiamento
especial para os clientes interessados em adquirir cable
modem. Além da Internet, a empresa pretende utilizar
a sua rede para prover também serviços de voz, Rede
Privada Virtual (VPN) e videoconferência.
Só no acesso à Internet, a operadora
contabiliza 3 mil clientes em Brasília. A meta é expandir
essa base para 6 mil e lançar o serviço em Belo Horizonte
a partir de julho, atendendo principalmente ao segmento
corporativo. O serviço pode ser unidirecional ou bidirecional.
Os usuários poderão contratar circuitos assimétricos
ou simétricos (necessários para aplicações tipo videoconferência).
Neste último, a velocidade de transmissão oscila entre
128 kbps e 2 Mbps. Dessa forma, será possível oferecer
garantia de banda contratada, que poderá ser aumentada
conforme a necessidade, num processo conhecido no jargão
da área como rajada (burst).
O gerente de operações de Internet
do Ajato, Amilton de Lucca, salienta que o custo do
modem caiu bastante com os serviços de instalação oferecido
pela TVA. Hoje o modem está cerca de 60% mais
barato do que quando o Ajato foi lançado, diz.
O usuário tem a opção de financiar em até 15 vezes ou
alugar o equipamento. O aluguel custa em torno de R$
15,00 e a assinatura, R$ 65,00.
Por R$ 80,00 mensais, sem taxa
de adesão, o assinante pode navegar pela Internet a
velocidades de 56 kbps (quando o retorno é feito pela
linha telefônica) a 128 kbps (retorno por linha privativa)
no upload e de 256 kbps a 1 Mbps no download. O serviço
conta atualmente com 2 mil assinantes, mas a meta é
aumentar essa base para 30 mil até o final do ano. Para
o segmento corporativo, a operadora oferece vários pacotes
de acesso com preços diferenciados: 128 kbps (R$ 500,00),
256 kbps (R$ 1.500,00) e 512 kbps (R$ 4 mil).
Para Walter Poleto, gerente de
vendas da ADC, fornecedor de soluções em MMDS para a
TVA e TV Filme, a grande vantagem do wireless é a cobertura
do sistema. Com uma estação central é possível
atender a uma cidade de pequeno, médio e grande porte.
No Brasil, o sistema ainda é unidirecional (upload por
telefone), mas a Anatel está regulamentando a bidirecionalidade.
Segundo Poleto, mesmo sendo assimétrico, o sistema permite
alocar parte da banda do canal destinado ao download
para o upload. Isso é possível, embora no Brasil
ninguém esteja fazendo isso porque a Internet via MMDS
está apenas começando, assinala.
Acesso por satélite
Até o final deste ano, a Hughes
pretende iniciar a comercialização do DirecPC, serviço
que permite utilizar o satélite em três tipos de aplicação:
acesso à Internet, transferência de arquivos em alta
velocidade e o transporte de vídeos e arquivos multimídia.
Para sua difusão no mercado brasileiro, a empresa conta
com a flexibilidade e rapidez de instalação. A
operadora não precisa investir em infra-estrutura. Basta
o usuário ter uma antena como a da DirecTV, explica
Edson José de Vito, gerente de vendas da empresa.
Nos Estados Unidos, o DirecPC
é utilizado preferencialmente por usuários domésticos
para acesso à Internet. A empresa tem uma base de 60
mil clientes, que podem contratar links de 256 kbps
e 400 kbps para download, que custam, em média, US$
20,00 e US$ 40,00 mensais, respectivamente. No segmento
corporativo, o preço gira em torno de US$ 130,00. No
caso do acesso por satélite, o retorno é sempre feito
por linha telefônica.
No Brasil, a aposta da Hughes
é que essa tecnologia de banda compartilhada tenha grande
penetração inicialmente entre as empresas. Mas o potencial
de consumo do chamado mercado de massa não é desprezado.
As operadoras de TV paga que transmitem sinais via satélite,
como DirecTV e Sky, somam mais de 700 mil assinantes.
Talvez o principal obstáculo para
o avanço do DirecPC seja a avaliação equivoca que paira
no mercado brasileiro segundo a qual o satélite está
perdendo espaço para outros meios terrestres de transmissão
de dados em alta velocidade. Os Estados Unidos,
que são o país mais cabeado do mundo, são os maiores
usuários de satélite, observa o gerente de vendas
da Hughes. O futuro do satélite está garantido nas aplicações
que os meios terrestres não são capazes de atender.
O que vem por aí
Enquanto as tecnologias de acesso
existentes tentam decolar, já despontam as novas versões
que prometem aumentar em muito a capacidade de transmissão.
Na seara do par trançado (fio
de cobre), está em desenvolvimento o VDSL (Very high
bit-rate DSL), que pode transmitir até quatro canais
de TV simultaneamente, permitindo ainda ao mesmo tempo
acessar a Internet em alta velocidade e usar o telefone
normalmente, tudo por uma mesma linha. O sistema ainda
é muito limitado em relação à distância que pode percorrer,
mas protótipos já estão sendo testados.
Na área de wireless, a novidade
ficará por conta do LMCS (Local Multipoint Communication
System), sistema que opera em altas freqüências,
na casa dos 28 GHz, com grande capacidade de transmissão
de dados e voz. A tecnologia tem arquitetura semelhante
à do celular, mas por usar freqüências muito altas,
é sujeita a falhas em condições climáticas adversas,
como chuvas fortes, o que compromete sua confiabilidade.
A Anatel está regulamentando este serviço para o Brasil.
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