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ESPECIAL - Internet em alta velocidade

APRESENTAÇÃO

A Internet vai mudar

André Mermelstein

Pesados investimentos em acesso de alta velocidade, construção de backbones e produção de conteúdo multimídia vão mudar a cara da rede mundial que conhecemos hoje.

Na indústria da informática fala-se há tempos na lei de Moore, que prevê que a cada 18 meses a capacidade dos processadores dobra e o custo dos equipamentos cai pela metade. Impressionante, mas quase ridícula se comparada a outra evolução, ainda não batizada: a da capacidade de transmissão de dados em redes, em especial na maior de todas, a Internet. A tabela 1 mostra que levou menos de dez anos, ou seja, desde que a Internet começou a se difundir fora dos meios acadêmicos, para passarmos dos lentos modems de 14,4 kbps para o acesso ADSL a 7 Mbps, já disponível comercialmente. Um aumento de mais de 400 vezes (veja a comparação entre as tecnologias na tabela 2).

E não é só no acesso que está a revolução. A infra-estrutura que está sendo construída no Brasil e no mundo para o transporte de dados não tem precedente (ver matéria à página 12). A Internet 2, construída para atender prioritariamente universidades e grandes usuários, ainda não tem nem 1% de sua capacidade ocupada.

O impacto que toda essa nova massa de vias de comunicação terá na maneira como as pessoas e empresas se comunicam é evidente, embora suas formas ainda estejam tomando corpo. As primeiras iniciativas de criação de conteúdo ainda trazem a carga cultural das mídias de origem de seus produtores, seja jornal, rádio ou TV. Mas novas experiências de linguagem são experimentadas. Nos EUA, por exemplo, o site DEN (www.den.com) produz seriados especialmente para a web. No Brasil, a MTV (www.mtv.com.br) criou o e-clip, videoclipe interativo montado online pelo usuário. Sem falar nos inúmeros sites de e-commerce e games, que oferecem todo o tipo de interatividade. Isto, mais a migração da Internet do computador para outros dispositivos domésticos, vai mudar não só a forma como todos navegam na rede, mas também como se vê televisão, se fala ao telefone ou se vai ao médico. No caso da TV, talvez o mais evidente, o download de vídeos em tempo real com qualidade de TV deve tornar realidade serviços como o video-on-demand, ou “locadora virtual”. Dispositivos como o Web TV ou semelhantes, quando conectados a um cable modem ou um ADSL, possibilitarão que a navegação seja feita por um televisor convencional.

Acesso ou conteúdo?

Por enquanto, os grandes produtores de conteúdo são vinculados aos provedores de acesso, com raros casos de produtores independentes. Exemplos disso são o caso da megafusão AOL/Time Warner, do UOL (Folha/Abril), do portal Terra (Telefônica/ Estadão), Vírtua (grupo Globo) e Ajato (TVA). Estudo da consultoria Bain & Company mostra que, embora o negócio de provimento de acesso ainda vá ser nos próximos anos o principal gerador de receitas, é a produção e a aglutinação de conteúdo que terão a maior rentabilidade (ver gráfico 1). Por aglutinadores entendem-se aqueles sites que, embora não produzam conteúdo, funcionam como portais para o material disponível na Internet. De qualquer forma, em um ambiente já povoado por provedores dial-up gratuitos, a oferta de acesso high-speed será por um bom tempo um diferencial importante nos resultados das empresas.

B2C e B2B

Embora os sites com clipes, vídeos e animações chamem mais a atenção, o dinheiro da rede parece estar mesmo no comércio eletrônico (aplicações business-to-consumer, ou B2C) e nas aplicações business-to-business (B2B), que envolvem desde negócios entre empresas até tecnologias de videoconferência, voz sobre IP, entre outras (ver gráfico 2).

A empresa de pesquisa norte-americana Yankee Group prevê que até o final deste ano serão 3,3 milhões de lares conectados à Internet em alta velocidade só nos EUA, chegando a 16,6 milhões em 2004. No final de 1999 havia 1,4 milhão de domicílios plugados, 80% com cable modem. Segundo o estudo da Yankee Group, 41% dos lares norte-americanos terão acesso a um serviço de cable modem até o final de 2000, devido à grande penetração dos sistemas de TV a cabo no país. Já o ADSL deve estar disponível para 24% dos domicílios.

No Brasil, os números devem ser mais modestos, mas acompanhando a tendência. O crescimento do número de sites brasileiros já é expressivo, e a Bain & Company projeta para 2005 um total de quase 24 milhões de usuários no país, com um volume de transações business-to-consumer de US$ 1,875 bilhão e negócios business-to-business da ordem de US$ 4,367 bilhões. Parte da força desta demanda já pôde ser sentida no último final de ano, quando muitas empresas, tanto aqui quanto nos EUA, não conseguiram atender em tempo a todos os pedidos de compras de Natal e ano novo. O que significa dizer que há muito espaço ainda a ser conquistado.

Evolução da velocidade de dados
1962 Primeiros modems analógicos transmitem a 300 bps
1970 Modems analógicos de 1,2 kbps
1978 Telefônicas lançam o DDS (Digital Data Service), conexão dedicada com capacidade de 56 kbps
1982 Modems analógicos de 2,4 kbps
1983 Lançamento do ISDN, com velocidade de até 128 kbps
1984 Linhas T1, com capacidade de 1,5 Mbps; Modems analógicos de 9,6 kbps
1990 Modems analógicos de 14,4 kbps
1992 Modems analógicos de 28,8 kbps
1993 Primeiros testes de ADSL, com até 1 Mbps
1994 Modems analógicos de 33,6 kbps; Primeiros testes de cable modem nos EUA e Canadá
1995 Início da comercialização do cable modem, com velocidades de 1 a 3 Mbps
1996 Modems analógicos de 56 kbps
1998 Início da comercialização do ADSL, com velocidades de download de 7,1 Mbps
2000 Novas tecnologias, como LMCS, poderão atingir mais de 100 Mbps no download
Novas tecnologias, como LMCS, poderão atingir mais de 100 Mbps no download.
Fonte: “Residential Broadband”, ADSL Forum, Dataquest, Intel. TELETIME.

Comparação entre as diferentes tecnologias de acesso*
Tecnologia Velocidade de Upstream Velocidade de Downstream Custo médio para o assinante Operadoras no Brasil Pontos fortes Pontos fracos
ADSL Até 1 Mbps Até 8 Mbps R$ 85,00 por mês (sem multiplexação) CTBC Telecom, Telefônica Conexão permanente, liberação da linha Custo do modem
Cable modem 56 kbps a 129 kbps 256 kbps a 2 Mbps** De R$ 60,00 a R$ 80,00 (Cable Modem Net), TV Filme (LinkExpress), Globo Cabo (Vírtua) Conexão permanente liberação da linha (no bidirecional) Custo do modem
MMDS Até 128 kbps (retorno por telefone) Até 2 Mbps** R$ 80,00 TVA (Ajato) e TV Filme (LinkExpress) Cobertura do serviço (com uma antena central cobre uma cidade de pequeno e médio portes Por enquanto é só unidirecional
Satélite (DirecPC) Até 128 kbps (retorno por telefone) Até 400 kbps Nos Estados Unidos o serviço custa, em média, US$ 20,00 para 200 kbps, US$ 40,00 para 400 kbps e US$ 130 para empresas. Ainda não disponível no Brasil. Nos EUA é prestado pela Hughes Flexibilidade de instalação, área de cobertura Custo do serviço, já que tecnologia é importada
LMCS (LMDS) Até 10 Mbps Até 155 Mbps
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Ainda está sendo regulamentado pela Anatel Indicado para regiões com alta densidade de assinantes, alta capacidade de dados Tem menor alcance que MMDS eé sensível a interferências
* Colaborou Inaldo Cristoni ** Modems atuais. A rede tem capacidade para até 30 Mbps.