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ESPECIAL - Internet em alta velocidade

INFRA-ESTRUTURA

O gargalo não é aqui

Fábio Koleski

Com a construção de novos backbones e modernização dos atuais, operadores se preparam para a Internet em alta velocidade.

Se depender dos fornecedores de infra-estrutura para Internet em alta velocidade, o gargalo para a prestação do serviço não estará nos backbones. A grande rede nacional para o tráfego de Internet em baixa e alta velocidades ainda é a da Embratel. Mas o quase monopólio da Embratel, que diz ter abocanhado 85% do tráfego de Internet no Brasil no ano passado, vai sofrer um forte impacto nos próximos meses.

As teles locais estão preparando seus backbones, que podem estender-se por vários estados e ficar com boa parte do mercado. A Telefônica já tem um, Tele Centro Sul inaugurou o seu na primeira quinzena de fevereiro e o da Telemar está em fase de conclusão. As redes já foram construídas tendo em vista o aumento de demanda por Internet rápida. Além disso, empresas recém-chegadas ao mercado, como a Intelig, espelho da Embratel, e a Eletronet, que usará a infra-estrutura das empresas de energia para construir seu backbone óptico, estão também preparando suas armas.

“As empresas estão em uma corrida desesperada para preparar a infra-estrutura das redes. São milhões investidos em fibras e, se contemplarmos o business plan de cada uma destas empresas, veremos que suas atividades-fim, como a telefonia ou a simples transmissão de dados, não pagam o projeto. Acredito que todas estas redes vão se tornar, em pouco tempo, grandes provedores de meio para a Internet em alta velocidade, visto que capacidade para isto não faltará”, explica José Carlos Alcântara, que, como gerente de suporte da fabricante de cabos ópticos Furukawa, acompanha muito de perto o setor.

Alcântara acredita que, em poucos meses, muitas das empresas que hoje constroem redes próprias podem passar por processos de fusão, com a criação de novos backbones nacionais. “Várias empresas elétricas estão construindo redes não só de transmissão, mas também de acesso voltado para TV por assinatura, telemetria e telecomunicações. Estas redes têm alta capacidade, e pode haver uma aglutinação. Se estiverem juntas, estas empresas energéticas, e não a Intelig, serão a verdadeira ‘Embratel 2’”.

Aumentando o tráfego

A introdução, ainda tímida, de meios mais rápidos de acesso à Internet, como o ADSL e o cable modem, ainda não gerou demanda adicional para os provedores de backbone, segundo Luiz Antônio Francisco de Sousa, gerente adjunto de produtos Internet da Embratel. “A demanda tem crescido, sim, por outros motivos. O número de usuários aumentou e, além disso, as teles locais aumentaram a qualidade das redes. Somando isso ao barateamento dos modems de 56 kbps, os provedores passaram a pedir muito mais banda de transmissão”, explica Sousa (veja gráfico 4).

Este foi um dos motivos pelos quais, no início de janeiro, a Embratel expandiu a saída internacional de seu backbone Internet para os Estados Unidos. A capacidade da operadora passou de 320 Mbps para 384 Mbps para os Estados Unidos e o Canadá, interconectando-se, a partir daí, com o resto do mundo. Além disso, prepara o início de atividades de mais um link de 155 Mbps, via satélite, com os EUA. Mas o grande aumento de capacidade está por vir com a inauguração do cabo submarino Américas 2, que deve ocorrer ainda no primeiro semestre de 2000. “Com este cabo, não dependeremos tanto do satélite para a conexão com a América do Norte e teremos um grande aumento de banda”, diz Sousa.

Segundo Marcio Estefan, gerente de produtos da empresa de redes metropolitanas Metrored, outro grande aumento no tráfego de banda larga é causado pelos provedores gratuitos de Internet que acabam de entrar no mercado. “Para se conectar ao backbone Internet, provedores desta modalidade estão pedindo vários canais de 34 Mbps”, explica Estefan. “Além disso, os provedores já estabelecidos pedem upgrades em suas conexões”, completa. Isto significa que eles já sentem que o estouro da banda larga está bastante próximo.

Quem é quem

O Brasil tem duas redes de Internet de alcance nacional: a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e a Embratel. Enquanto a primeira não concorre no mercado maciço de Internet, voltando-se para instituições de ensino e de pesquisa, o grande player nacional é mesmo a Embratel, com 85% de market share durante o ano de 1999. Algumas outras redes, de menor porte, também estão presentes no Brasil. É o caso da Global One, com um pequeno backbone, da IBM, que vendeu este segmento à AT&T e da Unisys.

Empresas de redes metropolitanas, como a Netstream (AT&T) e a Metrored, também pegam parte deste mercado, embora seu foco principal acabe sendo as redes corporativas. “Oferecemos soluções de conexão de até 155 Mbps do provedor ao backbone Internet, além de vários produtos de conexões entre redes locais, também usadas pelos provedores. Temos, também, pontos de interconexão com os principais backbones brasileiros e internacionais”, diz Márcio Estefan. A Metrored, em um primeiro momento, tem um backbone que interliga Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e redes metropolitanas nestas últimas duas cidades.

A maioria destes operadores está preparada para carregar a Internet em alta velocidade. O serviço não exige uma rede específica, pede apenas uma maior largura de banda. E, com as novas tecnologias como o DWDM, tem se tornado cada vez mais fácil aumentar a capacidade das redes atuais, muitas vezes sem ser necessário o lançamento de mais fibras. É por isso que, atualmente, nem se fala mais em parcela da capacidade do backbone que está comprometida: esta capacidade cresce a cada dia, de acordo com a demanda.

A nova configuração do mercado se dará com os backbone das teles locais e das operadoras nacionais. A Telemar, por exemplo, está integrando todas suas redes, para que fique com uma só, multisserviço, apostando no futuro IP. Nada mais propício para aplicações multimídia e Internet em alta velocidade. Eletronet e Intelig ainda não apresentaram os produtos de suas redes, ainda em construção. Mas, com certeza, haverá gigabits disponíveis para todos.