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LMDS pode até substituir os acessos
ponto a ponto das operadoras
Ellen Jensen
Tecnologia nova, cujo modelo de negócio
ainda está em fase de amadurecimento, o LMDS apresenta
uma gama de possibilidades de serviços que desafia os
próprios operadores. Entre eles o acesso a voz e dados
para clientes corporativos e residenciais e até a substituição
dos links de microondas das teles fixas e celulares.
Há uma vasto leque de opções disponíveis
para os licenciados de LMDS nos EUA (os leilões aconteceram
em 98), e parte da estratégia das operadoras é decidir
quais serão as melhores aplicações. Os detentores de
licença podem usar suas freqüências de LMDS para
interconectar sedes ou filiais de uma empresa ou para
competir com as teles locais pelo serviço de voz ou
de dados; podem juntar-se com provedores de Internet
para oferecer acesso à Internet de alta velocidade a
empresas e residências; podem usá-las para transmissão
de vídeo ou como alternativa à rede de MMDS.
Ninguém duvida que os grandes negócios
são os primeiros a estar na mira dos operadores de LMDS.
"Existe uma demanda muito boa e muito grande para
linhas de alta capacidade, e o LMDS pode satisfazer
essa demanda. As teles podem atender a essa demanda
alugando capacidade dos operadores de LMDS, que também
podem fazê-lo, construindo as redes eles próprios e
indo atrás de seus consumidores", diz James McIlree,
vice-presidente da Lowenbaum & Company.
Outra fonte de recursos que será muito
disputada é a de condomínios e prédios de apartamentos.
Doug Smith, COO da Nortel Broadband Wireless Access,
dá o exemplo de um operador que oferece aos administradores
de um complexo residencial uma porcentagem sobre a receita
em troca de colocar o condomínio todo na rede.
Outra opção é o backhaul, o transporte
entre células, para os operadores de celular e PCS.
Como muitos ainda alugam linhas de cobre ou de fibra,
seria muito mais econômico para eles ter o LMDS. Alguns
operadores que pensam construir redes de LMDS estão
incluindo serviços ponto a ponto em banda larga entre
as suas inúmeras possibilidades de ofertas, segundo
Ira Brodsky, presidente da Datacomm Research.
"Se você já tem um link de microondas
privado, provavelmente não vai querer o LMDS, mas se
é um novato ou se a sua aplicação é nova, examine bem
e veja se faz sentido ter a sua própria rede",
aconselha Brodsky.
Isso é importante porque ter uma estrutura
própria significa ter que montar uma torre de antena
e manter alguém à disposição para cuidar do equipamento,
quando a opção é ir ao provedor de serviço e só criar
um link de 50 Mb ou 10 Mb entre dois prédios.
Os desafios do LMDS
A falta de precedentes pode ser um desafio
maior para os concorrentes de LMDS do que para os operadores
de PCS. "O problema é que o pessoal não tem um
modelo", diz McIlree, lembrando-se de quando trabalhava
no setor de combustíveis. Segundo ele, quando iam fechar
contratos com companhias de petróleo, tinham sempre
um modelo, que poderia ser um contrato de um arranjo
anterior numa situação similar. E sempre funcionou.
"O pessoal do PCS tinha um modelo.
Eles podiam olhar para as companhias de celular e dizer:
'Isso é quanto vai nos custar para construir a rede,
é com isso que achamos que vamos ganhar o assinante
e essa é a provável margem de receita e fluxo de caixa',
e eles se mantinham na disputa", lembra McIlree.
Mas em relação ao LMDS, não existe uma
indústria de wireless broadband com a qual se possa
comparar para se ter uma expectativa razoável de investimento,
de custo e de margem. "Eu acho que os arrematadores
do leilão de LMDS de 98 foram muito cuidadosos porque
sabiam que há muita incerteza associada a esse mercado",
McIlree salienta.
Outro aspecto que torna o LMDS um pouco
mais difícil de se lidar que o PCS é que os operadores
podem tomar muitas direções e têm tempo de sobra. Com
o PCS foi muito mais definitivo. "O LMDS tem a
possibilidade (digamos, em sete, oito anos) de substituir
muitos links privados ponto-a-ponto, porque criará uma
rede de grande largura de banda através da cidade",
explica Brodsky.
Segundo ele, o maior desafio para os
fabricantes de componentes virá do lado dos assinantes
- "quanto o LMDS custará, se o assinante ainda
tiver que comprar um receptor de US$ 1000 e, além disso,
set-top boxes ou adaptadores especiais para conectar
na TV?"
McIlree sugere que outra decorrência
do desenvolvimento do LMDS seja a necessidade cada vez
maior de se ter softwares para administrar grandes redes
de microondas. As redes tradicionais de microonda são
pequenas, mas à medida que as companhias começarem a
substituir o cobre ou a fibra por microondas, as redes
ficarão maiores; então a necessidade de um software
para administrá-las fica mais premente.
O problema da visada
O LMDS também traz um desafio porque
os operadores têm que se decidir se vão usar linhas
de visada direta ou os sinais refletidos, diz Brodsky.
"Quem escolher a visada direta terá de enfrentar
todo tipo problema para atingir os assinantes",
ele continua. Talvez seja preciso montar um grande poste
no telhado das casas, para que a antena fique acima
da copa das árvores, porque "a 28 GHz, até a umidade
das folhas vai afetar o sinal". Talvez os usuários
nas áreas residenciais não queiram isso.
A localização dos usuários corporativos,
por outro lado, facilita a visada. Quase sempre os prédios
têm muitos andares e poucas árvores em volta, e a estética
não importa tanto quanto nas áreas residenciais. Portanto,
montar as hastes em geral não é problema.
Entretanto, os prédios de escritórios
podem criar problemas de outros tipos. Bancos de dados
sobre as construções de uma área e softwares projetados
para prever a cobertura sob um conjunto específico de
circunstâncias podem ser úteis nessas situações. Jennifer
Duncan, coordenadora de vendas da EDX Engineering, afirma
que o software de sua empresa pode usar as bases de
dados para determinar como a cobertura passará por entre
os prédios, levando-se em conta até o material de construção
usado neles e se as quinas são arredondadas ou angulosas.
Os databases são caros e precisam de
muito esforço para serem construídos. Duncan conta que
o procedimento normal é tirar fotos aéreas das cidades
e depois encontrar algum especialista para criar um
database digital das estruturas a partir das fotografias
ao longo das coordenadas latitudinal e longitudinal.
A curva da oferta e da demanda entra em ação. Os databases
são difíceis de se obter porque há poucos destes mapas
disponíveis e cada vez mais companhias estão querendo
os seus.
A visada direta, que antes não era tão
importante, ganhou nova importância depois que os sistemas
como o LMDS passaram a usar freqüências mais altas.
Só o que se sabe é que os licenciados
terão muitas questões para resolver e escolhas a fazer.
Mas, independentemente dos desafios,
as peças do LMDS vão se juntando para gerar mais um
serviço no mundo wireless.
Washington tem rede completa
Nos EUA, a MicroStar, a BEL-Tronics e
o Akcess Pacific Group formaram uma empresa de integração
de sistemas, a Belstar Systems, oferecendo soluções
de ponta a ponta no mercado de LMDS.
A idéia da companhia é criar um modelo
comercial a partir do serviço canadense da Microstar,
com mais 40 mil assinantes.
A Belstar também está buscando se aliar
a outros fabricantes de equipamento LMDS para vender
suas soluções a operadores em potencial nos Estados
Unidos, Canadá e também em outros países.
A WinStar ativou uma rede fixa experimental
full-duplex, banda larga, ATM, ponto-multiponto para
transmitir serviços de voz, dados e vídeo em Washington.
A rede tem dois hubs (logo expandirá para três) e oferece
serviços de telecomunicações de alta velocidade para
múltiplos setores em quatro edifícios de usuários finais.
O tráfego está sendo orientado por uma interface ATM
aérea e está integrado à rede metropolitana ATM da WinStar.
A rede já oferece voz, dados, videoconferência,
interconexões LAN-a-LAN, transferência de arquivo, vídeo
MPEG-2, aprendizado a distância, e-mail e acesso de
alta velocidade à Internet. Ela fornece múltiplos canais
a cada edifício, cada um com capacidade de até 155 Mbps.
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