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Regulamento brasileiro é convergente
Carlos Eduardo Zanatta e Raquel
Ramos
Anatel aproveita experiências internacionais
e programa uma legislação mais atualizada para as tecnologias
de acesso wireless fixo.
No final de novembro, a Anatel anunciou
a contratação de uma consultoria para ajudar na elaboração
final da regulamentação do LMCS (ou LMDS). O serviço
está planejado para operar na faixa dos 24 GHz aos 29
GHz e, ao contrário do que acontece no Canadá ou nos
EUA, terá uma faixa de freqüências contínua, bem
mais larga que o padrão. A agência ainda não definiu
como será a alocação dos canais dentro desta faixa,
mas é certo que as licenças deverão ser válidas para
serviços de transmissão de dados, telefonia e vídeo.
Como o LMCS será o primeiro serviço lançado numa realidade
convergente, a Anatel quer que a sua regulamentação
seja feita em cooperação com a revisão das regras da
TV paga, trabalho que está em andamento e que deverá
ser discutido publicamente em dezembro. A regulamentação
do LMCS precisa também sair em no máximo seis meses,
segundo o cronograma da Anatel, para que haja tempo
de se preparar o processo de licitação antes da desregulamentação
do mercado de telecomunicações, em 2001.
Retorno de 12 MHz para o MMDS
No final de novembro de 1999, a agência
reguladora colocou em consulta proposta para que 12
MHz de banda sejam designados para as operadoras de
MMDS que desejem operar o sinal de retorno. Embora esta
faixa seja suficiente para os serviços interativos,
ela pode ainda ser aumentada para 20 MHz caso uma freqüencia
requisitada para um serviço de telefonia aeronáutica
não seja alocada para o mesmo pedaço do espectro. A
faixa de retorno está entre 2.170 MHz e 2.182 MHz. Isto
está um pouco acima da faixa com que os fabricantes
trabalham, normalmente, 2.150 MHz, mas a Anatel garante
que o ajuste é simples e sem custos.
Como o espectro é um bem público, a
Anatel deve cobrar a mais das operadoras que queiram
exercer o direito aos 12 MHz de retorno para o MMDS.
Outro custo inevitável é o pagamento do Fistel (Fundo
de Fiscalização das Telecomunicações) referente ao espectro
utilizado.
Ao mesmo tempo em que prepara a revisão
das regras da TV por assinatura, com a unificação dos
diferentes serviços sob a sigla SCMa (Serviço de Comunicação
Eletrônica de Massas por Assinatura), a Anatel prepara
a regulamentação para a digitalização dos serviços de
MMDS. Este documento, contudo, deverá ser discutido
separadamente, e uma minuta é esperada para o início
de dezembro. Uma preocupação constante nos trabalhos
da Anatel tem sido buscar formas de garantir que os
operadores de MMDS não deixem de prestar o serviço de
TV paga, para o qual a faixa foi originalmente designada,
sem no entanto perder condições de competir com os diferentes
serviços de telecomunicações, sobretudo o LMCS. O MMDS
cobria até outubro mais de 180 municípios brasileiros,
com mais de 53,1 milhões de habitantes.
Testes terminaram em 96
A partir do final de 96, o Ministério
das Comunicações começou a recolher os dados das empresas
que haviam sido autorizadas a testar o LMDS para transmissão
de vídeo. Foram autorizadas a AG Telecom, a Globosat
(então operadora de DTH em banda C da Globo), a Sulitel
e a Rede Sul Telecomunicações (da RBS), a TVA e a Global-Tel,
para as principais cidades brasileiras. Um dos fatores
que mais preocupava os engenheiros durante as experiências
era a grande freqüência de chuvas no Brasil. A
preocupação decorria do fato de os países que já utilizavam
o sistema (principalmente EUA e Canadá) não contarem
com chuvas tropicais, e a experiência aqui seria praticamente
inédita. Esperava-se que o Minicom soltasse uma regulamentação
para o serviço no primeiro semestre de 97.
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