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MMDS pode ser um santo remédio
Nancy Gohring
O "wireless cable" volta a ganhar importância
nos EUA graças à bidirecionalidade, e se apresenta como
uma grande alternativa para o acesso local.
De tempos em tempos, desde que surgiu,
o sistema de distribuição multiponto multicanal (MMDS)
dá a impressão que vai dar seu último suspiro, só para
depois ressuscitar revigorado pela industria. Ultimamente
assistimos a uma nova agitação em torno do MMDS, provocada
pelas poderosas Sprint e MCI WorldCom.
Há pouco tempo, ainda separadas, a Sprint
assumiu o controle de diversas operadoras de MMDS, que
incluíam a People's Choice TV, America Telecasting Inc.
e Videotron USA, e a MCI WorldCom comprou a CAI Wireless
e pode assumir mais operadoras.
A AT&T preferiu usar uma tática
diferente da Sprint e da MCI WorldCom e investiu pesado
no cabo, com a compra da TCI, para ter acesso à última
milha, opção que, para muitos, consome muito mais tempo
e dinheiro para gerar retorno que o MMDS. Recentemente,
a AT&T também aventurou-se no serviço de LMDS, por
intermédio de uma subsidiária que arrebanhou uma fatia
de 41% da Teligent. O acordo favorece o acesso da AT&T
às áreas metropolitanas concentradas.
O diagnóstico Apesar de essa recente
tendência pelo MMDS ser conseqüência da regulamentação
de bidirecionalidade estabelecida em setembro de 98
pela FCC, historicamente, a tecnologia vem caminhando
aos trancos e barrancos nos EUA devido às inúmeras mudanças
impostas pela agência reguladora norte-americana.
Jim DeStefano, presidente e CEO da Emcee,
conta que em 1964 a FCC autorizou as bandas de 2,5 GHz
e 2,7 GHz para uso educacional e chamou essa faixa de
Serviço Fixo de TV Instrucional, ou ITFS, na sigla em
inglês. Cinco anos depois, nasceu um precursor do MMDS,
quando os engenheiros de uma ex-concorrente da Emcee
entraram com uma petição junto à FCC para usar 10 MHz
da faixa de 2,15 GHZ que não estavam sendo utilizados.
A FCC disponibilizou o espectro, em um serviço conhecido
como MDS, para as companhias que dele precisavam para
distribuir TV paga.
Logo esses operadores de MDS expressaram
uma preocupação que voltaria a aparecer anos depois.
Percebendo que não seriam competitivos com um único
canal, entraram com uma nova petição junto à FCC, desta
vez requisitando o acesso à faixa subutilizada do ITFS,
além daquela que já tinham. A FCC concordou em remover
porções do espectro ITFS e permitir que a TV paga o
usasse.
Ninguém esperava, mas a FCC deu permissão
aos operadores para alugar o resto da banda de quem
possuía licença para ITFS. Desse modo, os operadores
poderiam oferecer até 33 canais de televisão. "A
maior parte dos operadores de cabo da época estava espremida
em 30 canais", lembra DeStefano.
Ainda assim, houve resistência por parte
dos primeiros portadores de licença. "Um dos motivos
era que as empresas de cabo mantinham os provedores
de conteúdo sob rédea curta", DeStefano prossegue.
As empresas de cabo exigiam que os canais cobrassem
dos operadores de MMDS preços muito mais altos, "o
que impedia o negócio de ser lucrativo".
No ano de 1992 aconteceu a virada. O
público começou a se queixar dos altos preços do cabo
e da má qualidade de serviço. O Congresso norte-americano
obrigou as programadoras a vender seus canais aos operadores
de MMDS pelo mesmo preço que para os operadores de cabo.
Em março de 1993 o primeiro operador de MMDS lançou-se
ao mercado, seguido por mais dez no ano seguinte. "No
curso de três anos, a indústria levantou mais de US$
1 bilhão em ofertas públicas iniciais (IPOs) e secundárias
e debêntures (bonds).
Mais uma vez, o futuro parecia colorido,
especialmente quando algumas teles locais, inclusive
a Bell Atlantic, começaram a investir em empresas de
MMDS.
Em meados dos anos 90 veio outra mudança
nas regras que facilitou ainda mais a vida dos operadores
de MMDS. "A FCC aprovou uma requisição nossa e
de outras companhias que alterou o modo como essas freqüências
poderiam ser usadas, para que pudéssemos utilizá-las
em vários esquemas de modulação digital", explica
Matthew Oristano, presidente da PCTV. Isso não só permitiu
que os operadores carregassem mais canais, como abriu
a porta para outros serviços, como o de dados.
Mais ou menos na mesma época, já vinha
sendo desenvolvido o cable modem e o mercado para acesso
de alta velocidade estava emergindo. "Evidentemente,
era um produto cujo mercado estava em expansão",
lembra Oristano.
Mas antes que os portadores de licença
para o MMDS tivessem a chance de correr atrás dos serviços
de dados, o terreno cedeu. Em dezembro de 1996 a Bell
Atlantic desistiu de repente de investir na CAI Wireless.
"Acredito francamente que eles não conheciam tanto
a tecnologia para saber que ela não tem cobertura ilimitada,
mas depende de uma certa linha de visada", diz
DeStefano. A Bell Atlantic começou com a CAI em Boston,
onde há muita vegetação e elevações. "Eles não
conseguiram a cobertura que queriam e voltaram atrás.
Foi a Sexta-Feira Negra", acrescenta DeStefano.
A Bell Atlantic pôs a culpa nas condições
do mercado, que estavam mudando - com a crescente disponibilidade
da fibra -, para decidir suspender seu acordo com a
CAI, segundo uma declaração feita na época. A Bell Atlantic
também culpou a intenção da CAI de prover múltiplos
serviços que incluíssem voz e dados, além de vídeo.
Outros desenvolvimentos da indústria
contribuíram para a queda do MMDS. Os sistemas de televisão
por satélite (DTH) estavam começando a aparecer e podiam
oferecer muito mais programação do que os operadores
de "wireless cable" (outro nome do MMDS nos
EUA). Ao mesmo tempo, a evolução do cabo abria caminho
para um número muito maior de canais.
Talvez os operadores de MMDS tenham
encontrado o mapa da mina quando entraram com a petição
na FCC para oferecer serviço bidirecional. Em setembro
de 1998, a agência deu a permissão e atraiu parceiros
de peso como a MCI WorldCom e a Sprint.
A solução Comprar empresas de MMDS já
provou ser uma opção muito mais barata do que a estratégia
da AT&T de comprar a TCI para ter acesso local.
Comparados aos das operadoras de cabo, os preços de
compra das operadoras de MMDS se mostraram muito menores.
Enquanto a Sprint gastou US$ 1, 2 bilhão para alcançar
30 milhões de lares com o MMDS, Brauer, presidente de
serviços integrados da operadora, calcula que a AT&T
tenha desembolsado perto de US$ 100 bilhões com o cabo.
"Gastamos uma fração do que eles gastaram por uma
capacidade similar", ele conclui.
Mas o dinheiro não é a única diferença.
A AT&T precisa ainda atualizar as redes para o tráfego
de voz, o que custa dinheiro e exige tempo, dizem executivos
do setor.
A tecnologia MMDS já está pronta e instalada
com sucesso. A natureza do MMDS também permite que ele
entre rapidamente no mercado. "O MMDS, pelo seu
longo alcance, acima de 50 quilômetros em determinadas
áreas, vai permitir que a MCI, através da aquisição,
passe a distribuir rapidamente o acesso de banda larga
ponto-multiponto, sem a necessidade do acesso local
de cobre ou de fibra", explica David Reynolds,
da AirDSL.com.
O MMDS pode ser acessado em qualquer
tipo de edifício, mas tem limitações quanto à velocidade
de dados. Muitos vêem o MMDS apenas como um dos muitos
métodos de acesso. "A solução definitiva para o
acesso será provavelmente um sistema híbrido",
afirma Rick Lawrence, diretor-chefe de operação da Hardin
e Associates.
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