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ARTIGO
WiMax, a grande novidade
do wireless
José Luiz Navarro Frauendorf *
Tecnologia chega com a promessa de transformar as redes
sem fio em verdadeiras plataformas banda larga, oferecendo alta velocidade
de transmissão, mobilidade e estabilidade para áreas
de mais de 50 km de raio. E a boa nova é que o MMDS é o
caminho natural para essa tecnologia.
O Brasil deve chegar até o final de 2004 aos 60 milhões
de aparelhos celulares em operação, ou seja, 50% a
mais que os 40 milhões de linhas fixas. Enquanto um serviço
cresce, o outro vai perdendo seus usuários. Essa é a
realidade imposta pela evolução tecnológica
e esse é o mundo previsto por Nicholas Negroponte há quase
duas décadas. O mundo wireless, que estamos começando
a viver, está ganhando uma dimensão ímpar na
oferta de serviços e conectividade banda larga e o MMDS será o
melhor veículo para nos levar a esse futuro, como veremos
brevemente.
Após o sucesso da telefonia celular, as empresas apostam no
sucesso da transmissão de dados sem fio, o “wireless
broadband”. Muitas tecnologias têm surgido e o quadro
na página ao lado, organizado por John Yunker, da bytelevel
/ research, dá uma visão do que está disponível
no mercado.
O gráfico mostra dois aspectos importantes. O primeiro diz
respeito à evolução da tecnologia. Fica fácil
perceber que as tecnologias mais tradicionais - 2.5G e 3G - que vieram
da telefonia celular vão, aos poucos, cedendo lugar para as
novas tecnologias baseadas em novas formas de modulação,
muito mais eficientes e, portanto, muito mais baratas. Outro aspecto é a
evolução da cobertura, podendo-se atingir grandes distâncias,
mantendo taxas de transmissão elevadas. Essa tecnologia tem
nome: WiMax, ou IEEE 802.16.
Antes de falar do 802.16, vale a pena citar uma tecnologia proprietária,
que tem atraído muita atenção nos últimos
tempos, o Flash-OFDM da Flarion. Voltada para aplicações
com grande mobilidade de até 200 milhas/hora foi, recentemente,
testada em Washington DC com sucesso, integrando todo um sistema
de segurança envolvendo helicópteros, carros da polícia
e até agentes a pé, simulando uma situação
de emergência. Sua capacidade de tráfego é pequena,
não supera os 500 kbps, embora superior ao 2.5G e ao 3G.
A grande sensação é mesmo o WiMax, evolução natural do WiFi.
Enquanto que o WiFi foi concebido para redes locais (LAN), com cobertura restrita a 100 metros,
o WiMax foi idealizado para redes metropolitanas (MAN), podendo atingir distâncias de
até 50 km. A primeira versão IEEE 802.16d, com início de comercialização
previsto para o segundo trimestre de 2005, é voltada para aplicações fixas
(indoor e outdoor) e a versão seguinte IEEE 802.16e, atenderá as aplicações
portáteis/móveis.
Essa tecnologia está revolucionando as comunicações pela prevista massificação
de sua produção. As projeções mais pessimistas apontam para um
volume de sete milhões de usuários nos primeiros anos de sua implantação.
Os analistas prevêem que uma estação rádio-base custe US$ 15 mil,
no final de 2005, e possa gerenciar um tráfego de até 70 Mbps. Isso permite o
atendimento simultâneo de mais de 2 mil usuários residenciais, a partir de uma única
estação rádio-base. Já os terminais dos usuários deverão
estar custando US$ 150, na mesma época. A partir de 2007, o custo do usuário
tende a ser zero, pois os novos dispositivos (lap-tops e PDAs) já incorporarão
essa interface, como vem ocorrendo com o WiFi (Centrino).
O WiMax pode operar em diversas bandas de freqüência abaixo de 6 GHz. As faixas
mais comuns são: de 2, 3 e 5 GHz. Considerando que, quanto mais baixa a freqüência,
melhor a propagação e menor nas influências climáticas (chuva e
neblina), a faixa dos 2 GHz é a que apresenta as melhores condições. Graças
aos avanços tecnológicos dos semicondutores, os terminais de usuários
poderão operar em qualquer das faixas previstas, permitindo o “roaming” entre
os diversos sistemas. Isso já ocorre hoje com o WiFi.
Outro fator importante é a “banda” (largura de faixa de freqüência)
disponível. A faixa superior, de 5 GHz, pode chegar a até 500 MHz. Já a
faixa de 3 GHz é a que apresenta a menor banda e seus canais são pequenos. A
faixa dos 2 GHz é, novamente, a que se destaca, sendo sua banda de 200 MHz, podendo
chegar a até 300 MHz em alguns países. Em especial, a faixa de 2,5 - 2,7 GHz é reconhecida
como uma das faixas mais importantes para a operação do WiMax. Ela é conhecida
pela sigla MMDS. Para benefício dos brasileiros, está disponível e regulamentada.
Por que a banda e a largura do canal são tão importantes? O motivo é econômico.
As ERBs WiMax (estações rádio-base), como já dito, possuem uma
enorme capacidade de processamento, podendo processar até 70 Mbps em um canal de 20
MHz. Se o canal disponível for pequeno, não aproveitaria a capacidade total,
sendo necessária a instalação de diversas ERBs para atender à demanda
do mercado, encarecendo o sistema. Caso a banda veja pequena, o sistema pode atingir rapidamente
o limite de sua capacidade, havendo necessidade de expandi-lo em outras faixas de freqüência,
podendo limitar seu crescimento. Isto ocorre hoje com a telefonia celular. Sistemas celularizados
são divididos em setores, três ou quatro, com abertura de 90 ou 120 graus. Como
cada célula deve trabalhar com um grupo de canais próprios, bandas de pelo menos
60 a 80 MHz por célula são ideais.
O WiMax é um sistema IP puro, plataforma básica para a convergência, que
permite a oferta de todos os serviços (voz, dados e imagens) de forma integrada. O IP é a única
plataforma que permite a um operador se tornar um “triple-player” sem que seja
obrigado a construir uma “colcha de retalhos”.
O Brasil é identificado mundialmente como um dos países que reúne as melhores
condições para a implantação do WiMax em larga escala. A associação
de fatores tais como: capacidade de cobertura, baixo custo da infra-estrutura e de investimento
por usuário, decorrentes da auto-instalação, o auto-provisionamento e
independência de cabeamento de distribuição interna em edifícios
permitem a construção de sistemas que podem atender às demandas em localidades
que não poderiam ser atendidas, de forma econômica, pelos sistemas tradicionais
que apresentam, na maioria dos casos, custos incompatíveis com realidade do mercado
brasileiro.
* José Luiz Navarro Frauendorf é engenheiro e
atualmente dirige a Neotec.

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