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ESPECIAL - As novas redes da TV por assinatura

MERCADO

Um “big business” falante

Da redação

As perspectivas de crescimento dos serviços de VoIP passam pelo crescimento da banda larga.

Os números do mercado brasileiro de banda larga devem superar as expectativas neste ano. A consultoria PriceWaterhouseCoopers fez em setembro último uma projeção para a América Latina, em que indicava que no Brasil haveria 1,4 milhão de acessos banda larga (todas as tecnologias) até o final de 2004 - número que passaria a 3,9 milhões em 2006. A estimativa para este ano, no entanto, já foi atingida e, até dezembro, o País deve chegar a 1,8 milhão de acessos de alta velocidade, de acordo com as estimativas das empresas de telecomunicações.

O ADSL é dominante no mercado brasileiro de broadband. Os acesso por redes de cabo contavam em junho último 286,6 mil assinantes. Os números de usuários de cable modem são da PAY-TV Survey (PTS). De acordo com as estimativas do maior dos players, a Net Serviços, este número pode crescer significativamente. A operadora pretende chegar em dezembro em marca superior à sua meta de 180 mil usuários (eram 131,4 mil em junho), conforme declarou o diretor de marketing e comercial da MSO, Ciro Kawamura. A Vivax, que em junho atendia 38 mil assinantes através de cable modem, em setembro já atingira a marca de 50 mil, e espera no próximo ano chegar a 75 mil usuários, de acordo com seu CEO, Chris Torto.

Internacional

Embora não existam ainda estatísticas sobre as perspectivas do mercado brasileiro de VoIP (voz sobre IP, tecnologia que transforma a voz em pacotes de dados e permite que ligações telefônicas trafeguem sobre redes de dados), uma olhada nos mercados norte-americano e europeu pode dar uma noção das possibilidades de crescimento do serviço.

O mercado norte-americano prevê que o serviço de VoIP atinja 400 mil domicílios no final deste ano. Mas o grande salto é esperado até 2009, quando atingiria 12 milhões de residências, ou 10% do total de domicílios daquele país. Outra estimativa conta que 17% dos lares servidos por acessos broadband farão uso de telefonia por VoIP nos idos de 2009 - contra 1% neste final de 2004.

Um levantamento do Idate, por exemplo, lista que em 2009 o uso corporativo de telecomunicações sobre IP (ToIP, ou seja, todos os serviços de comunicação de uma empresa trafegando por redes IP) vá responder por 40% dos negócios por linhas telefônicas- o que significaria que perto de um terço das linhas convencionais fixas desapareceriam. Em 2010, de acordo com o Idate, 50% do tráfego corporativo de voz se dará por IP.

Já o Juniper Research avalia, em estudo datado de maio de 2004, que em 2009 o mercado global de VoIP contribua com US$ 32 bilhões de um mercado mundial de US$ 260 bilhões - ou seja, o equivalente a 12% da receita total com telefonia.

De acordo com Ian Cox, especialista em broadband da Juniper, “A VoIP traz novas oportunidades de geração de receitas para o mercado, por combinar os serviços de voz com outros aplicativos sobre IP. Isto vai redefinir os novíssimos serviços, com a telefonia no centro”. Segundo ele, o desafio aos provedores de serviço será gerenciar esta convergência, balanceando as novas receitas de VoIP com o decréscimo das receitas da telefonia fixa tradicional. Tarifas básicas de voz sobre IP vão substituir gradualmente as tarifas atuais baseadas em tempo e distância.

Para a Juniper, o segmento de maior crescimento até 2009 será uma oferta casada, ou o “bundle” de e-mail, acesso à Internet, voz e serviço de vídeo.

Apesar do pioneirismo e crescimento estrondoso dessa tecnologia, os provedores de serviços de VoIP têm pela frente dois grandes desafios: primeiro, as “carriers” tradicionais já têm clientela forte e estabilizada, com a telefonia móvel celular sendo absorvida rapidamente pelas novas gerações; segundo, até mesmo provedores de serviço VoIP como a Vonage, nos Estados Unidos, após batalharem para se estabilizar no mercado, podem perder terreno para as “carriers”.

Valor adicionado

Um estudo de março de 2004 da própria Juniper já mostrara que, dentre os serviços de valor adicionado, apesar de o video on demand e jogos online aparecerem como muito atraentes, era nos serviços de voz sobre o protocolo de Internet que residiam as grandes oportunidades de crescimento de receitas. As recomendações, então, eram as seguintes:

  • provedores do serviço de VoIP necessitam tirar vantagem da oportunidade oferecida pelos serviços broadband e proteger sua lucratividade, no sentido de mais rapidamente moverem-se para uma rede convergente;
  • os provedores de equipamentos precisam desenvolver sistemas com soluções integradas aos provedores;
  • os produtores de conteúdo têm de se preparar para essa constante revolução, ao se reposicionar e preparar seus conteúdos para a distribuição digital, sob o risco de perder lugar no mercado.

Em maio de 2004, a Merril Lynch previa que as empresa provedoras de serviços de VoIP abocanhariam entre três e cinco pontos do share do mercado de voz das empresa de telecomunicações nos Estados Unidos neste ano.

A resposta das incumbents

Muitas empresas de telefonia já anunciaram seus planos de migração das suas redes clássicas para as redes IP. A Telecom Italia, por exemplo, inaugurou seu pacote de serviço de voz para ligações internacionais no final de 2003. Mas desde 2002, com o crescimento dos serviços de banda larga, também foram lançados serviços para grande consumo de VoIP na Ásia, Estados Unidos e Europa.

Centenas de milhares de clientes já usam soluções de VoIP desde o início de 2004. No Japão, o Yahoo!BB tem cerca de 3,6 milhões de assinantes de VoIP, enquanto nos EUA a Vonage tem perto de cem mil, e a Skype relata 400 mil usuários ativos. Assim, incumbents como AT&T, Verizon, Qwest e France Telecom também correram e estão lançando suas próprias soluções para VoIP.

Desafios

A falta de regulamentação, necessária para garantir a competitividade em bases iguais, é um dos alertas dos especialistas sobre os riscos da implantação acelerada do VoIP. Eles também concordam que a telefonia está se tornando um serviço de telecomunicações no qual a voz é apenas um dos elementos - os novos serviços “bundled” sobre a plataforma IP é que vão promover a lucratividade. Além disso, a necessidade de padronização se torna mais iminente, para garantir a inter-operacionalidade das empresas envolvidas nesta imensa rede multiserviços.

Pesquisa mostra que europeus aprovam o “triple play”

Em setembro de 2004 foi publicada uma pesquisa da empresa InsightExpress, com levantamento feito em oito países da Europa Ocidental, com 331 clientes de serviços broadband na Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido. Entre as várias conclusões, destaca-se o fato de que mais da metade dos usuários não estão satisfeitos com os serviços de atendimento ao cliente de seus provedores de acesso à Internet banda larga. Ainda, a esmagadora maioria - 66% - acredita que a qualidade do serviço ao cliente melhoraria muito se eles tivessem a oportunidade de receber a Internet em alta velocidade, o serviço de voz e os sinais de TV de um único operador.

Por exemplo, consumidores da França foram os que mais demonstraram achar que o relacionamento seria muito mais fácil, com 66% das respostas; já os holandeses só concordaram com esta afirmação em 18% dos casos. Portugal (57%) e Bélgica (com 56%) foram os que também demonstraram maior otimismo em relação ao provedor único neste “bundle” de serviços.

“A pesquisa mostra que, enquanto muitos usuários europeus de Internet banda larga estão insatisfeitos com o atendimento que recebem, o triple play possibilita a oportunidade única aos provedores de serviço de melhorarem os níveis de satisfação e aumentar as receitas concomitantemente “, afirma Chris Gretjak, diretor sênior de produto e marketing da SupportSoft, que encomendou a pesquisa, em relatório da empresa. A empresa, vale lembrar, fornece soluções de gerenciamento para provedores de multisserviços. A margem de erro do estudo é de 4,3%, para mais ou para menos.