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TECNOLOGIA
Os mistérios
da VoIP
Samuel Possebon
Veja os principais caminhos e desvios úteis
para quem pretende seguir o rumo dos serviços de voz sobre
redes de TV paga.
O operador de TV por assinatura que já decidiu que sua rede
vai oferecer uma série de serviços de valor adicionado,
entre eles o serviço de voz, certamente descobriu que o processo
não é tão simples. Existe uma série de
razões para transformar a rede de TV por assinatura em uma
rede voltada a múltiplos serviços, mas também
uma série de desafios.
1) Qual tecnologia adotar?
O dilema para os serviços de voz que se coloca ao operador
de TV paga já não é mais aquele que se ouvia
há alguns anos: “telefonia comutada por circuito ou
por pacotes?”. Pacote é a palavra chave do mundo moderno.
Ou melhor, bits. Não se fala mais em telefonia convencional,
TDM, pelo menos não mais para quem está entrando. Aos
que chegam no mercado de telefonia agora a ordem é seguir
pelo VoIP (voz sobre IP). Mesmo assim, VoIP é só a
primeira decisão. A decisão seguinte é adotar
tecnologias desenvolvidas especificamente para redes de cabo, como
o PacketCable, que tentam reproduzir, no que se refere à qualidade
e funcionalidade dos serviço aquilo que as tecnologias tradicionais
oferecidas pelas teles trazem, ou ir pelo caminho novo, baseado no
protocolo SIP (Session Initiation Protocol), desenhadas para redes
de dados de um modo geral.
Como veremos, essa decisão entre SIP e PacketCable determinará muitas
das respostas para as perguntas seguintes, e por isso ela é tão
crucial. A própria Net Serviços, maior operadora de
cabo do Brasil, que dava todos os indícios que adotaria o
PacketCable, mantém um pé atrás. “Não é correto
afirmar que estejamos decididos pelo PacketCable. Podemos até usar
uma solução híbrida. Não acredito em
protocolos revolucionários, e a nossa opção
será baseada apenas em elementos de mercado, não em
fé”, diz José Felix, diretor de engenharia da
Net (leia artigo á pág. 21).
Mas cabe aqui fazer uma rápida diferenciação
entre as duas alternativas. O SIP foi desenvolvido pelo IETF (Internet
Engineering Task Force), responsável pela padronização
dos protocolos que hoje compõem a Internet, tais como o HTTP,
FTP etc. O SIP é um protocolo de sinalização
e configuração de sessões multimídia.
Basicamente, ele diz quando começa, como deve ser executada
e quando termina uma conexão de voz sobre IP, uma troca de
mensagens, uma transmissão de vídeo ou qualquer outra
coisa que possa ser convertida em bits. Mas o que o SIP é nem é o
mais importante. O que vale mesmo é o que ele faz. Ele permite
fazer praticamente qualquer coisa em termos de integração
de serviços digitais. O que o SIP não faz, ainda, é dar
confiabilidade e qualidade de serviço. “Em redes restritas,
como as redes de cabo, isso não é um problema, pois
o tráfego é mais controlado. Mas quando se sai dessa
rede, aí se corre o risco de não fazer mais VoIP, mas
sim VoIN, ou seja, voz sobre Internet, ficando-se sujeito à qualidade
da rede”, diz Antônio João Filho, vice-presidente
de operações da Vivax.
A verdade é que o SIP está revolucionando as operações
de telefonia competitivas em todo o mundo, sobretudo nos EUA. A possibilidade
de competir com as teles, que antes só era, na prática,
possível aos operadores de cabo, que usavam o PacketCable
sobre suas redes, hoje está acessível a uma série
de empresas. Vonage, Net2Phone e mais de uma dezena de outras oferecem
uma caixinha que, ligada a qualquer rede banda larga, ativa o serviço
de voz. Essa caixinha, chamada em geral de ATA ou ETAM, converte
o sinal de voz do aparelho de telefone em dados. É nessa caixinha
que está toda a inteligência de uma rede SIP, e por
isso o investimento na infra-estrutura em si não é tão
alto. “Hoje, as redes de banda larga das operadoras de cabo
já devem estar sendo utilizadas para serviços de voz
e nós nem sabemos que isso está acontecendo”,
diz Antonio João Filho. Para se ter uma idéia do tamanho
da brincadeira, a AT&T, que gastou (e perdeu) muito dinheiro
comprando redes de cabo para ter a sua última milha, resolveu
seguir o caminho do SIP nos EUA, e já oferece hoje serviços
baseados em SIP. Ironicamente, como as redes de cabo são a
principal forma de acesso banda larga nos EUA, a AT&T está usando
redes que um dia foram suas para fazer a última milha. Sem
pagar nada por isso.
Mas o PacketCable ainda está vivo, forte e evoluindo. Sua
próxima versão, o PacketCable Multimedia, incorporará o
protocolo SIP, e então, em tese, acabarão as diferenças.
Para quem tem uma rede de cabo, ainda faz todo o sentido pensar em
soluções PacketCable.
Propositadamente, não estamos falando aqui de soluções
para o MMDS, por uma razão simples. O MMDS ainda precisa fazer
uma opção sobre a forma como pretende estabelecer uma
plataforma de dados. Com base nisso, pode se tornar até, se
quiser, uma rede celular (leia artigo à pág. 19)
2) Que parcerias estabelecer?
A Vivax, por exemplo, está seguindo o caminho solitário
por enquanto, pois entende que para serviços de nicho consegue
prover todas as soluções necessárias ao clientes.
Já a TVA fechou parcerias com uma empresa de telefonia (a
Primeira Escolha) e com um provedor de VoIP global, a Net2Phone.
A TV Cidade também fechou parceria com a Net2Phone, e a Net
Serviço tem a Telmex como parceira. Mas por que ter um sócio?
Primeiro, pelo problema de interconexão, que é o mais
crítico. Qualquer rede VoIP precisa falar com a rede pública,
e alguém precisará negociar com as teles. Empresas
de telecomunicações como a Primeira Escolha, que têm
uma licença para explorar telefonia local, têm mais
facilidade de negociar a interconexão e fazer, assim, o sinal
sair para a rede de telefonia. O segundo motivo para ter um parceiro é numeração.
A Anatel só libera números de telefones para autorizadas
de telefonia na modalidade local, e para ser uma empresa com esse
tipo de outorga é preciso se comprometer a prestar o serviço.
Não dá para ter a licença apenas para ter a
numeração. As outorgas do Serviço de Comunicação
Multimídia em tese darão, um dia, direito a uma faixa
de numeração, mas isso ainda é um processo lento
dentro da Anatel.
A terceira razão para se ter um parceiro é a terminação
das ligações. Se o operador quer tirar pleno proveito
da possibilidade de redução de custos que o VoIP oferece
para o cliente, precisa ter gateways em vários locais. São
esses gateways que transformarão os bits em sinais de voz
na ponta de destino de uma ligação telefônica. É aí que
entra, por exemplo, a Net2Phone. Segundo Denis Dion, gerente geral
da empresa no Brasil, a Net2Phone está oferecendo aos parceiros
a facilidade de uma infra-estrutura já montada nos demais
países do mundo, o que é fundamental para serviços
de longa distância, além do knowhow de VoIP que adquiriu
desde 1995, quando começou a fazer o serviço, ainda
na forma rudimentar PC-to-PC.
“Estabelecer uma rede de parceiros ampla permite que a gente
se concentre apenas na nossa parte, que é o cuidado com o assinante
em si. Por isso temos a Primeira Escolha e a Net2Phone”, diz
Amilton de Lucca, diretor de desenvolvimento de negócios da
TVA.
A Net Serviços, por seu lado, terá a Telmex como acionista
e parceira nos serviços de VoIP. E não é preciso
ser nenhum gênio para saber que a Net será a alternativa
de acesso local da Embratel, também controlada pela Telmex.
Sabe-se que a meta da Telmex é ter 3 milhões de assinantes
de telefonia local. Vai usar a antiga rede da Vésper e a Net.
Segundo dados do mercado, só pela rede de TV paga, serão
1,2 milhão de usuários.
3) Que mercado focar?
Cada operador no Brasil está focando em um mercado. A TVA
lançou seu serviço de voz inicialmente para o mercado
corporativo, como complemento ao serviço banda larga. A TV
Cidade está restrita a hotéis e grandes clientes corporativos.
Também devem ser esses os primeiros passos da Vivax. Só a
Net Serviços é que, provavelmente, vai iniciar seus
serviços de voz focando-se no mercado residencial, pois sua
estratégia passa pela estratégia (maior) da Telmex.
Além dessa opção entre mercado corporativo e
residencial, ainda é preciso também fazer uma opção
pelo tipo de serviço. Para o mercado corporativo, qualidade
de serviço em geral é um pré-requisito, e por
isso a questão tecnológica é crítica.
No residencial aposta-se que o usuário de VoIP por redes de
TV paga estará, na verdade, contratando uma segunda linha.
E aí há duas coisas a serem ponderadas: será que
o usuário precisa de uma segunda linha com os quase 60 milhões
de telefones celulares que já existem no Brasil? E será que
a qualidade do serviço de VoIP vai atrair o usuário?
Em termos da qualidade do serviço de voz, há quem aposte
que o celular já se encarregou de diminuir os padrões
aceitáveis. Já a qualidade dos serviços complementares é que
são uma questão importante, e daí a importância
da opção tecnológica. Pode-se apelar para as
características multimídia do serviço de VoIP
como argumento de venda, ou para a integração com outros
serviços.
4) Que tipo de serviço oferecer?
Longa distância e acesso local são serviços básicos,
mas mesmo esses não são tão simples. Por exemplo,
quem não tem numeração não pode oferecer
nunca a alternativa de um serviço que receba ligações,
e isso faz toda a diferença. Serviços que só permitem
a realização de chamadas são úteis apenas
para usuários de PABX, sobretudo usuários corporativos.
Já serviços integrados com serviços de mensagens
instantâneas são mais úteis para o público
jovem, familiarizado com o uso dessa forma de comunicação
tanto no computador quanto no celular.
Mas o que tem feito empresas como a Vonage, nos EUA, se destacarem
tem sido ligações telefônica a baixo custo, sem
tarifas de longa distância e com a possibilidade de um gerenciamento
via web da conta.
5) Que custos considerar?
Os custos de um serviço de VoIP são um capítulo
extenso, mas alguns podem ser simplificados, conforme a tabela na
página ao lado.
Esses custos não estão nacionalizados (ou seja, sem
impostos, custos de importação e diferenças
cambiais) e não consideram toda a parte operacional, como
licenças, interconexão, contratação de
canais, remuneração pela numeração (caso
se use de terceiros) e nem a atualização da rede. Sim,
porque a rede para a prestação do serviço de
VoIP é, a princípio a rede de banda larga. Ou seja,
os gastos com limpeza de sinal, bi-direcionalidade, manutenção
etc já precisam estar considerados. “SIP ou PacketCable
têm hoje custos parecidos. A diferença é que
com o SIP a sua oferta de serviços não fica restrita à rede
de cabo”, diz José Felix.
Há ainda outras dificuldades adicionais. As caixas que convertem
o sinal de dados em voz, no caso do SIP, estão com os preços
caindo, mas na tabela oficial. Há vários relatos de
operadores de VoIP que têm sido obrigados a pagar ágio
para conseguirem unidades das ATAs ou ETAMs para pronta entrega.
Isso porque a Vonage e a AT&T estão praticamente drenando
a capacidade de produção desse tipo de equipamento
e o mercado ainda não chegou a um equilíbrio.
6) Que competição enfrentar?
Quem vai se aventurar no mercado de VoIP enfrentará a competição
de todo mundo que vai entrar no mercado de VoIP, no Brasil e no exterior,
pois o serviço, com o advento do SIP, passou a ser portável.
Ou seja, a Vonage pode ser usada na rede de banda larga da Vivax
no Brasil, assim como o serviço da GVT, da ex-espelhinho Transit
e de dezenas de outras empresas que estão oferecendo VoIP.
A recíproca também é verdadeira, ou seja, o
assinante de VoIP da TVA poderá usar a rede ADSL da Brasil
Telecom, por exemplo, mas é certo que a liberdade tecnológica
intensifica a competição. “Não vejo muito
problema no fato de o serviço de VoIP estar se difundindo
no modelo SIP porque também gosto de vender o acesso banda
larga, e o VoIP agrega valor à banda larga”, diz José Felix,
da Net, reforçando as razões pelas quais não
teme que outras operadoras prestem serviço sobre sua rede.
Outra competição que será enfrentada é por
parte das teles fixas, que por mais que estejam evitando entrar em
uma guerra direta com as novas entrantes em VoIP, já estão
acusando o incômodo: Brasil Telecom, Embratel e Telefônica
manifestaram-se publicamente. Fernando Xavier, presidente da Telefônica, é claro:
os serviços de VoIP estão afetando o equilíbrio
econômico das concessionárias, além de provocar
a degradação da qualidade de suas redes”, declarou
durante a Futurecom, em outubro. A resposta provavelmente virá na
mesma moeda. Além de baixar o custo das conexões banda
larga (na verdade, a Telefônica está dando mais banda
e cobrando o mesmo preço), a tele está desenhando uma
forma de oferecer serviços de VoIP. A questão para
a Telefônica e para as outras teles é como fazer isso
sem canibalizar o serviço tradicional, que é a sua
galinha dos ovos de ouro.
7) Que retorno esperar?
Ainda é cedo para dizer que retorno um serviço de voz
poderá oferecer para um operador de cabo, até porque
a penetração dos serviços de VoIP é função
da penetração da banda larga, e a competição
nesse campo ainda é muito intensa. Nos EUA, a Comcast tem
conseguido fazer com que 3,7% de suas receitas venham de serviços
de voz. O interessante é que a operadora está vendo
uma retração nesse segmento. No ano passado os serviços
de voz da Comcast representava 4,7% das receitas. Em valores absolutos,
apenas as receitas com voz caíram. O ARPU de voz, que no segundo
semestre era de US$ 47,70, caiu para US$ 47,18 no último balanço,
referente ao terceiro trimestre. Em um ano, o ARPU praticamente não
cresceu. A base de clientes cais quase em 100 mil em um ano, chegando
a 1,213 milhão de clientes de voz no terceiro trimestre deste
ano. A explicação da empresa é a competição
com outros fornecedores de serviços de VoIP, como Vonage e
AT&T. No Brasil, onde o mercado de VoIP também vive uma
competição intensa, os números da Comcast chamam
a atenção.
A Cox, por sua vez, não enfrenta um cenário tão
ruim. Suas receitas com serviços de voz chegam a quase 9%
e a base de assinantes tem aumentado (25% no ano), ainda que em ritmo
mais lento que os serviços de banda larga, que crescem quase
30% ao ano.
8) Que advogados contratar?
Eis a questão crítica para aqueles que querem fazer
serviços de voz sobre IP. Da mesma maneira como empresas de
telecomunicações começam a se aventurar nos
domínios do audiovisual, as empresas de TV paga querem se
aventurar no mundo da telefonia. Pode? É complicado dizer.
Claro que para quem tem uma licença de telefonia não
há nenhum problema. Só que o modelo atual de telefonia é baseado
na separação entre acesso e transporte, ou seja, entre
a longa distância e o acesso local. O VoIP, em tese, acaba
com isso. Uma vez na rede, o bit não reconhece fronteiras.
A Anatel sabe do problema, mas não sabe bem como lidar com
isso. Por essa razão, características do modelo brasileiro,
como o Código de Seleção de Prestadora (CSP)
para ligações de longa distância tornam-se anacrônicas,
o que não significa que quem fizer telefonia estará isento
do modelo. Jarbas Valente, conselheiro da Anatel, acha que “as
operadoras sentem o aumento da competição e acham que
precisam de defesa (regulatória)” ao pedirem regras
que regulamentem o VoIP. José Gonçalves Neto, gerente
geral da superintendência de serviços públicos
da Anatel, explica que a agência ainda está tentando
compreender os impactos e que, assim como todos os órgãos
reguladores do mundo, ainda não tem uma posição
definida sobre se pode, se não pode ou se as regras atuais
serão mantidas. A FCC decidiu deixar o mercado de VoIP correr
solto. É o mesmo que quer a TVA. Em seu prospecto a investidores
registrado na SEC quando propôs a troca de seu endividamento,
a companhia elenca o risco de uma excessiva regulação
sobre o mercado de VoIP como um dos maiores fatores de risco a seus
negócios no futuro. Por isso, fica claro que para quem quer
usar as redes de TV paga para fazer VoIP o melhor é ter um
advogado especializado em assuntos incompreendidos pelos agentes
reguladores, pois ninguém faz a menor idéia do que
vai acontecer.
DIGITALIZAÇÃO
Os mitos caem
Samuel Possebon
Nem tudo corre conforme as otimistas previsões mostravam,
mas digitalização no Brasil já é realidade.
A fase de digitalização das redes de cabo no Brasil
começou definitivamente. As principais operadoras estão
com os projetos desenhados e as maiores lançam os serviços
ainda este ano. A TVA foi a primeira, com o serviço digital
em São Paulo lançado em dezembro. Vivax e Net Serviços
também lançam seus serviços ainda este trimestre.
A Viacabo tem planos para o início de 2005, e a TV Cidade
não prevê se digitalizar tão cedo.
Eis o balanço de um movimento que é o passo mais arrojado
que os operadores de cabo deram desde a oferta dos serviços
de banda larga, no final dos anos 90.
Alguns mitos caíram durante esses primeiros momentos: primeiro,
se desfez a imagem de que a digitalização seria necessariamente
por um padrão aberto, o DVB. Net Serviços e TVA seguiram
por esse caminho, mas a Vivax resolveu aproveitar as boas condições
oferecidas pela Motorola e vai lançar seu serviço,
em Manaus, com uma solução proprietária. “Manaus
será nosso ambiente de testes, de desenvolvimento do produto”,
diz Chris Torto, CEO da Vivax. Como Manaus não está ligado
nos mesmos headends das demais operações no interior
de São Paulo, a solução Motorola poderá ou
não ser utilizada nas demais cidades.
Outro mito é o de que a digitalização das redes é inexorável.
Não é, pelo menos para quem não está disposto
a gastar nesse momento. É o caso da TV Cidade, que optou por
deixar sua digitalização para um segundo momento e
prefere, agora, investir em acesso banda larga e VoIP.
Pode ser uma estratégia lógica, mas vale sempre lembrar
que com o fortalecimento do DTH, a digitalização das
redes de cabo passa a ser um pré-requisito para a sobrevivência
competitiva. Vale lembrar que após a fusão com a DirecTV,
a Sky terá nada menos do que 1,2 milhão de assinantes.
E a operadora já é 100% digital há vários
anos e está bastante mais avançada em termos de serviços
adicionais (digital video recorder, canais pay-per-view, serviços
interativos, t-commerce etc). As operadoras de cabo que estão
entrando com sistemas digitais agora, por exemplo, só terão
o DVR em 2005.
Lentidão
As operadoras de cabo também estão enfrentando, e
essas informações são extra-oficiais, problemas
para integrar a tecnologia de codificação, compressão
e encriptação dos sinais digitais. Daí a lentidão
no lançamento das caixas. E por isso as caixas mais avançadas
só devem vir no próximo ano. Esses contratempos já eram
esperados, mas tornam-se mais problemáticos em um momento
em que a digitalização é a aposta contra a competição.
As redes digitais de MMDS são outro ponto a ser considerado.
Acom, TV Show e LigTV foram as pioneiras, mas o grosso dos assinantes
está com TVA e TV Filme, que têm planos de digitalização,
mas que dependem de capital para terem seus planos executados. A
aposta das operadoras recai nas perspectivas de uso do MMDS com o
WiMax (ler à pág. 19). Segundo a TVA, serão
necessários US$ 2,5 milhões para a digitalização
do MMDS em São Paulo (onde há cerca de 35 mil assinantes
nessa tecnologia) e US$ 7 milhões para a digitalização
no Rio de Janeiro (onde há 61 mil assinantes de MMDS).
A dúvida do mercado é se o MMDS conseguirá viabilizar
no Brasil as mesmas parcerias que têm conseguido fechar nos
EUA, sobretudo com o braço de investimentos da Intel.
A Intel, que é a grande apostadora no desenvolvimento do padrão
WiMax, acertou um acordo que inclui investimentos na Clearwire nos
EUA. A Clearwire é a empresa que está usando por lá as
freqüências do MMDS para desenvolver uma plataforma de
serviço banda larga capaz de competir, com a vantagem da mobilidade,
com as operadoras de cabo e ADSL. A empresa lançou a primeira
operação em Jacksonville, na Flórida, no início
de setembro, e atualmente anda comprando o direito de uso do MMDS
em várias regiões dos EUA. O detalhe importante é que
além de ter, agora, a Intel por trás, a Clearwire foi
criada por Craig McCaw, um dos principais empreendedores do setor
de telecomunicações dos EUA.
A parceria prevê que nas operações da Clearwire
serão usados equipamentos compatíveis com o padrão
IEEE 802.16e (WiMax) produzidos pela NextNet, que vem a ser uma subsidiária
da Clearwire. A Intel Capital prevê gastar US$ 150 milhões
em operações wireless com a finalidade de fomentar
a tecnologia. Vale lembrar que no Brasil os operadores de MMDS já são
parceiros da NextNet e trabalham justamente para tornar suas redes
(que chegam a 196 cidades, segundo os dados mais recentes da Anatel)
uma plataforma para acesso broadband. Resta saber se haverá dinheiro
para esse projeto ambicioso e se não haverá nenhuma
restrição regulatória. Afinal, o nobre espaço
do MMDS foi licitados para servir a serviços de vídeo.
Quando começar a brigar com empresas de celular e com a banda
larga das teles, alguém deve reclamar. |